Granola Rápida sem Forno



Dias que começam com granola. Crocante e viciante. É só abrir o frasco e juntar a uma taça com fruta fresca e comer. São muitos os dias que começam assim, e eu adoro. Já sei que atrás da tacinha com granola vem a minha gata Amélie. Ronrona e ronrona, estica as patinhas e começa a amassar o meu pijama. Vem para o colo e começa a fazer-me "olhinhos". É que na tacinha com a granola há sempre iogurte natural. E ela fica uma ternura, cheia de mimo, na esperança de o provar. E sim, são muitos os dias em que por momentos me esqueço que sou veterinária e lhe dou só mesmo um pedacinho de iogurte, na ponta do dedo e ela adora. 

Há algo com gatos e iogurte, pelo menos já mais gente me contou que os seus gatos aparecem logo à porta do frigorífico ou ficam em alerta assim que uma tampa de iogurte é aberta. A Amélie é dessas.
Esta gata veio comigo da clínica onde trabalho. Apareceu ainda pequenina e sem dono, depois de termos perdido o nosso Cenourinha. Veio comigo para casa e já nos faz companhia há quase dois anos. É uma gata cinzentinha, pequenina, cheia de energia e muito malandra. Que nos aquece os corações. Acho que era incapaz de viver sem gatos. Sem todas as suas brincadeiras, o mimo, o ronronar, o ar felino, aquelas patinhas fofas e as barrigas felpudas. Sou uma "cat lover".
Nem imaginam como foi difícil ter de a esterelizar, não pelo acto da cirurgia em si, que recomendo a todos os animais de companhia que não são para reprodução, mas porque sou eu que faço as cirurgias. Confesso que me custou um pedacinho, estava nervosa com a anestesia, com tudo aliás, mas correu bem. A Amélie é hoje uma gata feliz e cheia de energia, adora dormir e comer, e perseguir insectos e o meu iogurte.

Temos tido imensas cirurgias na clínica, desde as de rotina às de urgência. Cada vez mais os donos se preocupam com os animais e pensam na prevenção ou nos deixam avançar para procedimentos que aqui há uns anos estariam fora de questão, financeiramente ou porque simplesmente não tínhamos o equipamento necessário. E é tão bom aprender sempre mais, fazer mais por eles. Ao fim do dia posso estar completamente de rastos, mas tenho dias em que esse cansaço vale bem a pena.
Para os que às vezes me pedem para falar mais sobre a minha profissão, não pensem que tudo é um 'mar de rosas', que é só ver e abraçar animais fofinhos (também tem estes momentos sim!). Envolve muitos sentimentos, envolve muito de nós. É uma entrega diária (e nocturna também), é um amar e ter que ser forte ao mesmo tempo. Mesmo muito forte. Lidamos com vidas, com morte, com dor, com sofrimento. Mas no fim, tudo passa pela paixão com que fazemos as coisas, de outra forma nunca estaria aqui, apesar das dúvidas e dos momentos mais difíceis.
Nada difícil é esta receita! Trago a granola mais fácil de sempre, aquela que faço mais vezes em casa, praticamente desde que a Amélie nos faz companhia também. 
Não precisa de forno e é super rápida de fazer. Em 10-15 minutos tenho uma granola deliciosa e crocante pronta a comer (granola deve ser das melhores coisas de sempre!), quer seja na companhia da Amélie pela manhã, com iogurte natural e fruta da época, ou como snack para os lanches entre cirurgias na clínica. 
Não se perde tempo quase nenhum, não precisamos do forno como é habitual nas granolas, basta uma frigideira e uma colher de pau, e o cheirinho que se espalha na cozinha é mesmo maravilhoso.





Granola Rápida sem Forno
(adaptada do livro Top with Cinnamon, de Izy Hossack)

2 chávenas de flocos de aveia (metade integrais, metade finos)
3 colheres (sopa) de sementes de girassol
1/4 chávena de amêndoas e nozes picadas grosseiramente
2 colheres (sopa) de manteiga
1/2 colher (chá) de canela em pó
3 colheres (sopa) de mel Samelas


Preparação

Numa frigideira bem grande colocar os flocos de aveia, as sementes e frutos secos e levar a lume alto, mexendo frequentemente, durante uns 5 minutos ou até tostar.
Fazer um buraco no meio da aveia e colocar a manteiga, a canela e o mel. Continuar a mexer a mistura, envolvendo tudo muito bem, durante mais uns 5 minutos.
Retirar do lume e deixar arrefecer antes de guardar num frasco (dura até 2 semanas).

Bom Apetite!





Pão de Alfarroba na Cocotte



Posso eu repetir os mesmo textos, as mesmas linhas e as mesmas histórias? Mesmo que seja com outras receitas? Acho que sim. Afinal de contas, adoro pão.
Sabe tão bem fazer um pão em casa. Acho que me posso repetir para sempre, no que toca a preparar um pão, é um conforto para a alma. E o tempo lá fora tem convidado a isso, a ligar o forno e amassar um pão. Fatiá-lo ainda quente, sentir o seu aroma, o seu conforto, o seu sustento.

Arrumei a minha máquina do pão há mais de dois anos. Está guardada e pronta a seguir viagem para outra casa, para novos donos que se queiram aventurar a fazer pão.
Foi um processo natural, deixar de amassar o pão na máquina. Afinal o que me dá prazer é mesmo amassar a massa, usar as mãos, ver dali crescer alimento. 
Mas também gosto muito de fazer pão mesmo sem amassar, como o desta receita, em que não precisamos de colocar a "mão na massa".

Gosto de todas as possibilidades que rodeiam o preparar de um pão. Como o pão sem levedar, e o pão sem amassar. Gosto particularmente de ambos, e sei que ainda há muitos pães por descobrir na minha cozinha. Para já penso apenas na crosta perfeita deste pão, cozido dentro da cocotte Staub.
Ficam perfeitos os pães cozidos na panela de ferro, adoro como ficam rústicos, como crescem e como a crosta fica estaladiça e crocante. Aventurem-se vocês também e preparem um pão, da panela para a vossa mesa, partilhem o que é bom.






Pão de Alfarroba na Cocotte
(adaptado do "No-Knead Bread")

2 chávenas de farinha de trigo
3/4 chávena de farinha de centeio
1/4 chávena de farinha de alfarroba
1 colher (chá) de sal
1/2 colher (chá) de fermento de padeiro seco
1 chávena de água morna

3/4 chávena de figos secos 
3/4 chávena de nozes pecãs
(1/2 chávena de farinha de trigo)


Preparação

Numa taça grande colocar as farinhas, sal e fermento, mexer com a colher de pau. Misturar a água morna, e envolver bem sem amassar, só até ficar bem misturado.
Tapar a taça com película aderente e deixar levedar à temperatura ambiente umas 12h (até 18h). 
Depois de levedar, colocar a massa numa superfície enfarinhada e adicionar a ela as nozes e figos picados grosseiramente. Usar um pouco mais de farinha (aquela 1/2 chávena ou mais se necessário) para envolver na massa e misturar ligeiramente os frutos secos, dobrar a massa ao meio e novamente ao meio. Deixar a massa levedar por mais uma a duas horas, com um pano em cima.
Pré-aquecer o forno a 200ºC e colocar lá dentro uma cocotte com tampa por 30 minutos.
Formar uma bola com a massa, colocar sobre papel vegetal antiaderente e salpicar a parte de cima com farinha. Com uma faca, fazer um corte em forma de cruz na superfície da massa.
Com cuidado retirar a cocotte quente do forno. Colocar a massa com o papel vegetal dentro da cocotte e levar ao forno com a tampa por uns 30 minutos a 200ºC.
Ao fim desse tempo retirar a tampa e deixar cozer até dourar, mais uns 15-20 minutos.
Retirar o pão da cocotte e fatiar morno ou frio.

Notas:
Poderá preparar a massa à noite para a deixar levedar as 12h e ao dia seguinte preparar o pão no forno.
Para fazer este pão vai precisar de uma panela de ferro fundido (ideal), como esta cocotte da Staub, e que não tenha nenhuma parte que possa derreter com o calor, de forma a criar óptimas condições de humidade e temperatura para cozer o pão.

Bom Apetite!







Salada de Quinoa e Abacate com Funcho e Laranja



Gosto de comer arco-íris. De saborear cores num prato. Ainda mais quando chega a Primavera com os dias mais longos, com sol, temperaturas mais amenas. E tanta coisa boa nos mercados, na pequena horta. Para nos inspirar.

Gosto do verde. De comer refeições sem carne. Saladas coloridas ao sabor do que nos sabe bem. Gosto da simplicidade das coisas, de experimentar sabores novos e novas combinações de cores.
De procurar mais além do costume. 

Na nossa mesa cabe um pouco de tudo. Cabem os dias mais aborrecidos com as refeições do desenrasca e das sobras, cabem os dias mais gulosos e atrevidos com doces e bolos, cabem os dias com os sabores de tradição e os dias dos excessos, dias com refeições com mais tempo, dias em que experimentamos uma refeição nova, dias mais criativos.

Acho que mesmo que a maioria dos dias seja menos criativa à mesa, pela falta de tempo e pelo cansaço, deixo-me sempre seduzir pelos momentos mais empolgantes, onde pego em receitas por descobrir e passo mais tempo na cozinha. É como uma terapia, um lugar que me faz bem. Quer seja a preparar um bolo de chocolate pecaminoso, ou uma salada colorida, saudável e nutritiva. Todos esses momentos representam um bocadinho de felicidade que depois se sente à mesa, onde se juntam os pratos e as conversas.




Salada de Quinoa e Abacate com Funcho e Laranja
(do blog Foolproof Living)

2 chávenas de quinoa cozida
2 abacates maduros em cubos
1 bolbo de funcho fatiado finamente
1/2 cebola fatiada finamente
3 laranjas sanguíneas sem casca, fatiadas
1/3 chávena de salsa picada
1/3 chávena de amêndoa laminada
1/3 chávena de azeitonas

molho:
2 colheres (sopa) de azeite
2 colheres (sopa) de vinagre balsâmico branco
2 colheres (sopa) de sumo de laranja sanguínea
2 colheres (chá) de raspa de laranja sanguínea
sal q.b.


Preparação

Tostar as amêndoas laminadas, numa frigideira, mexendo frequentemente até dourarem.
Para fazer o molho colocar todos os ingredientes dentro dum frasco com tampa, abanar várias vezes até criar uma emulsão.
Numa taça grande colocar a quinoa cozinhada, o abacate, funcho, cebola, as laranjas, azeitonas, salsa e amêndoa, envolvendo tudo suavemente.
Juntar o molho à salada, mexer e servir imediatamente.

Bom Apetite!