Pão de Batata-Doce e Curgete



A minha primeira memória de pão na infância remete para a minha avó. Claro que já comia pão antes dessa memória, em torradas com manteiga pela manhã e com queijo ao lanche, mas o que mais me lembro são as noites de sexta-feira em que chegávamos a sua casa e a via amassar o pão.
Amassava o pão e a broa muito bem, a par da nossa vizinha, e era quase uma tradição fazer pão quando o forno a lenha estava aceso. 
E sentir o cheiro do pão acabado de fazer e caseiro, é algo que ainda me lembro bem, tão bem. Assim como o comer, ainda quente, ver o fumegar do miolo ao partir.
Das melhores coisas que podemos guardar nas memórias dos sentidos.

Para hoje, que se celebra mais um World Bread Day, comecei com esta memória. Do pão de outros tempos, feito em casa, pela minha avó. Ela já não tem forças para o amassar.
Mas sempre que chega a época do forno a lenha aceso, recordamo-nos desses tempos, e lá ponho eu as mãos na massa, ou a batedeira faz isso por mim, e cozemos mais um pão. Muitas vezes, bem diferente do habitual. Ainda me falta aprender muito na arte do pão, e tenho imensa vontade de fazer pães cada vez mais elaborados e distintos, mas nem sempre o tempo chega para tudo.



Andava indecisa em que pão fazer para esta data especial. Foi ao ver o livro novo da Mafalda Pinto Leite, que me decidi. Outono e batata-doce, combinam tão bem, como uma fatia deste pão com uma chávena de cevada bem quente. 
Estava escolhido o pão, e domingo passado foi o dia para o fazer e saborear. Em casa todos gostamos de um pão assim, bem fofo, que se come em jeito de bolo.
As Receitas da Mafalda, inspiraram-me assim para este dia do pão e para tantos outros, com receitas saudáveis, fáceis de preparar e deliciosas.
Muitas mais estão marcadas para fazer, pois gostamos de praticar uma alimentação saudável por regra, mas com margem para pecar.
Vamos lá fazer um pãozinho bom de batata-doce? Este mantém-se fofo por muitos dias. Fiz pequenas alterações, seguindo as sugestões. E foi fatia atrás de fatia.




Pão de Batata-Doce e Curgete
(adaptado do livro As Receitas da Mafalda, de Mafalda Pinto Leite)

2 chávenas de puré de batata-doce assada
3/4 chávena de curgete ralada com casca
2 colheres (sopa) de coco ralado
4 ovos batidos
2 colheres (sopa) de mel ou maple syrup
2 colheres (sopa) de azeite
1 chávena de farinha de trigo
1 chávena de farinha de espelta
2 colheres (chá) de fermento
1 pitada de sal
2 colheres (sopa) de pevides de abóbora


Preparação

Pré-aquecer o forno a 180ºC. Forrar uma forma de bolo inglês com papel vegetal antiaderente e reservar.
Numa taça colocar a polpa da batata-doce assada, a curgete ralada (e bem espremida), o coco ralado, os ovos, o mel/maple e o azeite. Misturar muito bem.
Juntar as farinhas, o fermento e o sal e incorporar bem.
Colocar a mistura na forma preparada, alisar a superfície da massa e espalhar as pevides de abóbora.
Levar ao forno até cozer (teste do palito), ou por uns 25-30 minutos.
Desenformar e deixar arrefecer ligeiramente antes de cortar.

Bom Apetite!





Bolo de Iogurte e Maracujá



Bolos e bolinhos. O que seria de mim sem eles? Num bolo consigo transmitir a doçura e afectos que o envolvem, que partilho com quem vem ao meu encontro.
Um simples bolo pode ter muito significado, ou ser apenas uma diversão num domingo à tarde, mais chuvoso, e que pede o calor do forno e um docinho para alegrar o lanche e quem vier a nossa casa.

É mesmo um prazer escolher uma receita, preparar os ingredientes e a massa, ligar o forno, sentir o cheiro que se espalha da cozinha até outras divisões, e que nos avisa que já está quase pronto a sair.
Gosto mesmo muito de oferecer bolinhos. Se há um convite, uma festa, para mim um bolo é como uma prenda, uma partilha à amizade. Uma mão cheia de ternura que se divide por todos.



Mesmo em celebrações e festas, os meus favoritos são sempre os mais simples. Um bolo com base de iogurte ou pão de ló, um bolo de chocolate húmido, em que basta um salpicar de açúcar em pó para o compor, ou uma cobertura com frutas ou calda de chocolate para o vestir a rigor.
As coisas mais simples são sempre melhores. E por vezes até penso em planos mais elaborados, mas não resisto a um bolo de iogurte, bem fofo.

E desta vez a festa é a da Bundtmania, que já faz um ano. Um ano cheio de bolinhos ("I´m in heaven... "). O meu plano inicial era outro (costuma ser sempre assim, começo numa ponta e numa receita e acabo quase sempre noutra), tinha ideia de um bolo de chocolate vestido com cobertura de mirtilos. Mas mudei de ideias, quando num dia já pela noite, entra uma cliente na clínica e me oferece uma sacada de maracujás do seu jardim. Sorrisos feitos. Das partilhas surgem sempre coisas boas. 
E o meu pensamento rumou logo a um dos livros mais bonitos na minha estante, o Seasons da Donna Hay e a este bolo. Pode não ser o mais festivo de sempre, mas que é bom é. Que o diga a minha avó, que anda uma gulosa feita. E não resiste a uma fatia ao domingo à tarde.




Bolo de Iogurte e Maracujá
(adaptado do livro Seasons, de Donna Hay)

100 gr de manteiga à temperatura ambiente
1 chávena de açúcar
1 colher (chá) de pasta de baunilha (opcional)
3 ovos
1 chávena de iogurte natural (no original, grego)
2 chávenas de farinha de trigo
1 colher (chá) de fermento

para o xarope:
200 ml de polpa de maracujá
1/2 chávena de água
1/2 chávena de açúcar


Preparação

Para o xarope, preparar os maracujás retirando a polpa até obter os 200 ml. Eu optei por retirar algumas sementes, porque achei demasiadas. Colocar numa panela com os restantes ingredientes e levar ao lume até ferver. Reduzir o lume e deixar cozinhar por uns 15 minutos, até formar um género de xarope. Deixar arrefecer e reservar.
Numa taça colocar a manteiga, baunilha e o açúcar e bater com a batedeira eléctrica por uns 10-15 minutos, até ficar bem cremoso e claro. Adicionar os ovos um a um e bater bem entre cada adição.
Juntar o iogurte e mexer bem. Juntar a farinha e o fermento e envolver bem na massa até ficar homogénea.
Colocar a massa numa forma bundt, untada e polvilhada com farinha e levar ao forno pré-aquecido a 180ºC, até cozer (teste do palito).
Desenformar e picar o bolo todo com um palito ou pau de espetada fino, e regar o bolo com o xarope de maracujá. Servir morno ou frio.

Bom Apetite!



 

Coroa de Canela e Mirtilos e um Convite



O post de hoje vem em forma de convite. Há alguns meses atrás fui convidada pela Guida Cândido, Técnica Superior do Arquivo Fotográfico da Figueira da Foz, a fazer uma exposição com as minhas fotografias no CAE -  Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz.
É para mim uma honra poder partilhar o que faço, numa das salas do CAE, na minha cidade.
A fotografia para mim é uma forma de expressar o meu sentimento pela comida, pelos ingredientes sazonais e por descobrir, pelas viagens que podemos fazer em pratos, pela partilha, pelos afectos que podemos transmitir num prato de comida. 

Sou apenas uma fotágrafa amadora, com muito ainda por aprender e isso é tão bom, saber que estou sempre a caminho de aprender muito mais. De me entusiasmar e continuar a fazer o que gosto. E de olhar para trás e ver o quanto já aprendi.
A minha exposição de food photography e styling "A alma da minha cozinha", vai decorrer entre os dias 3 de Outubro e 2 de Novembro, na sala Afonso Cruz, no CAE, na Figueira da Foz.
E é com grande prazer que venho convidar-vos para a inauguração, dia 3 de Outubro, pelas 21 horas. Vou lá estar à vossa espera, com um sorriso. Vai ser bom estarmos juntos! Apareçam!



E para animar esta boa notícia, nada como partilhar convosco esta receita. Junta coisas que gosto. Coisas que me fazem feliz. O amassar a massa à mão, o ver levedar. A canela, os mirtilos, e ainda alguns morangos que vão crescendo na horta. O cheirinho que se espalha pela cozinha e casa enquanto coze, e o forno ligado. O provar ainda morninho, sentindo os sucos das frutas é algo de maravilhoso. Um pão doce que me enche os sentidos e a alma.
Vamos ligar o forno? E partilhar uma fatia? Tenho a certeza que vão gostar.




Coroa de Canela e Mirtilos
(receita do blog Joy the Baker)

para a massa:
2 colheres (chá) de fermento biológico seco
1 colher (sopa) de açúcar
3/4 chávena de leite morno
1 gema de ovo grande
2 colheres (sopa) de manteiga derretida
2 e 1/4 chávena de farinha
1/2 colher (chá) de sal

para o recheio:
1/4 chávena de manteiga à temperatura ambiente
1/4 chávena de açúcar
2 colheres (chá) de canela em pó
1 chávena de mirtilos frescos e alguns morangos em pedaços

açúcar em pó para salpicar


Preparação

Numa taça colocar o fermento e o açúcar e misturar. Juntar o leite morno e depois a gema e a manteiga e misturar muito bem. Deixar esta mistura repousar por 5 minutos.
Noutra taça misturar a farinha e o sal, e adicionar depois a mistura do leite, começando a amassar até a massa descolar das paredes da taça.
Colocar a massa numa superfície enfarinhada e começar a amassar à mão durante 10 minutos. Formar uma bola com a massa. Colocar numa taça e tapar com um pano, deixando levedar num local quente, durante 1 hora ou até dobrar o volume.
Enquanto a massa leveda, preparar o recheio, batendo muito bem a manteiga com o açúcar e canela, até ficar homogéneo. Reservar.
Untar uma forma redonda ou uma frigideira de ferro e forrar o fundo com papel vegetal antiaderente.
Pré-aquecer o forno a 180ºC.
Amassar ligeiramente a massa já levedada, e numa superfície enfarinhada e com um rolo, estender a massa numa rectângulo bem comprido.
Espalhar o recheio de canela por cima da massa, sem ir muito às bordas.
E colocar os mirtilos e alguns morangos por cima da massa.
Enrolar a massa num rolo, começando pelo lado mais largo/comprido da massa.
Com uma faca, cortar o rolo ao meio, no sentido longitudinal (paralelo ao lado mais comprido), deixando um topo por cortar. A partir desse sítio entrançar os dois pedaços de rolo.
Unir os dois extremos, pressionando a massa, para formar uma coroa redonda, com cuidado, para não cairem os frutos.
Transferir a coroa para a forma preparada e levar ao forno a 180ºC até cozer e dourar (uns 25 minutos) e os frutos borbulharem.
Desenformar com cuidado, e deixar arrefecer um pouco antes de salpicar com açúcar em pó.
Servir morno ou frio.

Nota: podem ver o passo a passo da receita muito bem explicado em fotografias aqui.

Bom Apetite!