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Um Ceviche e uma Exposição de Fotografia



Os dias primaveris e as coisas frescas para comer à mesa. É tempo de pratos mais leves e cheios de vida e cor. É tempo de comer morangos e saboreá-los num ceviche. Adoro ceviche! Faz-me logo pensar em dias de sol, quentes e em mesas coloridas e prontas a petiscar. O Verão quase a chegar e os dias de sandálias nos pés, areia e mar, e comer lá fora. 
A receita deste ceviche é inspirada no livro "Cru" da Inês Simas, ao qual juntei a salicórnia. Pensar que sempre tive salicórnia aqui tão perto de casa e só há uns dois anos me comecei a interessar por ela. Fica deliciosa em pratos de peixe, com ovos, risottos, saladas. Esta que vêem no prato foi apanhada nas salinas da Figueira, do solo para a mesa.

A ideia deste prato surgiu depois de um convite bem especial. Uma exposição de fotografia, com a salicórnia como tema. Mais um desafio lançado, desta vez pela querida Guida Cândido do Arquivo Fotográfico Municipal da Figueira da Foz. 
Adorei a ideia, a salicórnia em fotos, em receitas, na mesa, no meu prato. Cheia de verde, de expressividade e textura.
O evento "À Beira Sal Plantada, a Salicórnia Amada" decorre este Maio na Figueira da Foz, entre o Mercado e o Museu do Sal, com showcookings, degustações, conversas e a minha exposição de fotografia "Verde Sal".

Resta-me agradecer o convite, é sempre tão bom ver como a minha cidade me apoia e acarinha. É sempre gratificante partilhar as minhas fotografias. Fotografar e criar os meus cenários, as minhas mesas. Muito grata por tudo. Por estes momentos em que sorrio mais alto, e me permito sonhar. Em que os sentimentos e as palavras se captam através de uma lente, e se formam imagens que contam histórias de cá e de mim.
A abertura da minha exposição é já esta semana, dia 5 de Maio, no Mercado Municipal da Figueira. 
Fica a receita deste maravilhoso e fresco ceviche com salicórnia, para vos abrir o apetite.
Espero por vocês na minha cidade.







Ceviche de Salmão com Morangos e Salicórnia

300 gr de salmão fresco
sumo de 3 limas
sumo de 1/2 limão
1 colher (chá) de flor de sal
2 colheres (sopa) de leite de coco
1 colher (chá) de mel
azeite q.b.
4 folhas de hortelã (mais para finalizar)
8 morangos (mais para finalizar)
1/4 cebola roxa 
50 gr de salicórnia fresca


Preparação

Limpar as peles e espinhas do salmão e cortar em cubos de 3 x 2 cm. Regar com o sumo das limas e limão e temperar com a flor de sal. Reservar durante 15 minutos, deixando assim os citrinos "cozinharem" o salmão. 
Misturar o leite de coco com o mel até se dissolver.
Cortar os morangos em quartos ou cubos, picar a hortelã e metade da cebola roxa (a outra metade fatiar finamente e reservar para finalizar). Lavar bem a salicórnia e picar ligeiramente (eu prefiro manter inteira para sentir toda a textura).
Envolver tudo no salmão e regar com um fio de azeite.
Colocar em pratos e enfeitar com mais cubos de morango, folhas de hortelã, a cebola fatiada finamente e um fio de azeite. Está pronto a servir. 
(serve 4)

Bom Apetite!




'Verde Sal', por Maria Inês Mendes
Mercado Municipal Eng. Silva, Figueira da Foz
Datas: 5 de Maio até Junho 2017
Entrada Gratuita


Amêijoas Masala



O mês de Julho quase a terminar, com a promessa de mais Verão por vir. E férias ainda distantes mas que já se começam a imaginar no horizonte. 
Enquanto os dias de descanso não chegam vamos enganando essa vontade com pequenas coisas que nos vão carregando baterias. E nos fazem felizes.

Os dias de sol grandes são logo meio caminho andado para aproveitar ao máximo o que o Verão nos dá. Ao fim do dia dá para fazer uma caminhada à beira mar, de pés na areia e no mar. Aproveitar toda a fruta boa da estação e fazer um grande sumo logo pela manhã. Andar descalça lá fora enquanto regamos a horta e as ervas aromáticas. Encontrar amigos que estavam lá longe e abraçá-los muito. Juntar a família e amigos à mesa, sempre que se pode. Praia no dia de folga, com direito a um gelado na mão e a um livro na outra. Fazer um piquenique, mesmo que seja no jardim. Encher a mesa de cores e coisas boas. E gente boa, que nos faz bem.

E é tão bom petiscar no Verão. Petisco é palavra que se come com as mãos, enquanto se demoram as conversas e se prolongam os momentos de convívio à mesa. Em casa, numa esplanada, numa tasquinha, queremos é estar reunidos à volta da mesa e aproveitar estes dias. Sabe tão bem.
E umas amêijoas calham mesmo bem, assim com um toque de garam masala e os coentros frescos a perfumar os dias quentes. É para comer com a mão, e molhar o pão torrado no molho. É quanto basta para animar uma refeição de Verão. No fim ficam as conchas vazias, para contar a história.







Amêijoas Masala
(receita adaptada do "Tasty Express" de Sneh Roy)

1 kg de amêijoas (usei congeladas)
2 colheres (sopa) de azeite
3 dentes de alho picados
1 cebola roxa pequena picada
1/2 colher (chá) de garam masala
1/2 colher (chá) de curcuma
1/2 chávena de vinho branco
1/2 chávena de água
sal q.b.
1 molho de coentros frescos
limão para servir


Preparação

Colocar as amêijoas de molho em água fria com bastante sal por meia hora, se estas forem frescas (para limpar de areias). Escorrer e lavar em várias águas e colocar noutra taça. Se forem congeladas podem deixar descongelar no frio ou usar directamente.
Numa sertã alta ou num tacho colocar o azeite a aquecer. Juntar os alhos e cebola e deixar refogar até ficar amolecido. Adicionar depois o garam masala, a curcuma, mexer bem e em seguida juntar o vinho e a água. Deixar ferver um pouco e juntar as amêijoas. Tapar e reduzir o lume para brando.
Deixar cozinhar por alguns minutos, agitando o tacho de vez em quando, até as amêijoas abrirem. 
Destapar, descartar as amêijoas fechadas e colocar parte dos coentros bem picados e uma pitada de sal, voltar a tapar e agitar o tacho para o sabor dos coentros se espalhar.
Regar com um pouco de sumo de limão e servir com mais coentros frescos picados grosseiramente.

Bom Apetite!



Quinoa Preta com Favas e Hamburgers de Salmão




Este ano as favas foram poucas. Chegaram mais tarde do que o normal e só saboreamos duas refeições com elas. Soube a pouco!
O que vale é que temos bons vizinhos e num destes dias chegou um saquinho delas a nossa casa.
Tão boas, tenrinhas. Adoro estufadas com tomate e ovos escalfados e com muitos coentros.
Um consolo de refeição, que se espera por ela quase um ano, e depressa deixa saudades.

Com umas poucas favas que sobraram fiz esta salada. Com quinoa preta, uma nova paixão.
Conheci a quinoa há uns anos, através da minha amiga D. de Cascais, numa altura em que ela andava em dieta e uma das coisas que podia comer para substituir arroz e massa era a quinoa. Fiquei logo curiosa e comecei a provar. Gostei e muito, em saladas e em sopas, em tabbouleh. Com muitos legumes a acompanhar.
Agora até já a uso em pães, em bolachas, em granola, em sobremesas, e conheci as várias cores, para além da branca, a vermelha e agora a preta, que veio do Reino Unido.
Juntei uns hamburgers de salmão com caril e aneto à festa (o meu aneto está gigante e lindo, adoro as aromáticas nesta altura do ano, viçosas, verdes e lindas!) e fui à fava.





Salada de Quinoa Preta com Favas e Hamburgers de Salmão
(inspirado no "Healthy Everyday" de Dale Pinnock)

(serve 2)
1/2 chávena de quinoa preta
1 e 1/2 chávena de favas cozidas e pele removida

vinagrete de coentros e aneto:
5 colheres (sopa) de azeite
2 colheres (sopa) de vinagre balsâmico
coentros e aneto frescos picados q.b.
sal q.b.

hamburgers de salmão, caril e aneto:
2 postas de salmão
1 dente de alho pequeno
1/2 colher (chá) de caril caseiro
sumo de 1/2 lima
aneto fresco picado q.b.
sal q.b.



Preparação

Retirar a pele e espinhas ao salmão e cortar em cubos. Colocar o salmão, o dente de alho picado, o caril, o sumo de lima e o aneto num processador de alimentos, adicionar o sal e processar até obter uma textura picada e quase homogénea. Moldar 4 mini hamburgers com as mãos e levar ao frio durante uns 30 minutos.
Colocar a quinoa num tacho com o dobro de água e cozer durante uns 10-15 minutos, tapado. Deixar arrefecer ligeiramente e com um garfo soltar os grãos.
Colocar os hamburgers num tabuleiro forrado com papel vegetal antiaderente e levar ao forno pré-aquecido a 200ºC até dourarem e cozerem (uns 20 minutos, dependendo do forno).
Preparar o vinagrete juntando os ingredientes todos num frasco e agitando bem até engrossar.
Misturar a quinoa com as favas, temperar com o vinagrete e colocar em pratos.
Colocar os hamburgers, e servir com coentros e aneto picado, e gomos de lima.

Bom Apetite!





Bolinhas de Atum e Batata-Doce





Os dias estão mais frios. Os cachecóis e as luvas começam a fazer parte deles. Umas meias e um casaco mais reforçados e vamos à rua. O sol ajuda a aquecer pela hora de almoço, enquanto guardo as mãos nos bolsos. Não gosto do frio. Do pingo no nariz, das dores no pescoço e das frieiras.
À noite aguardo a chegada a casa, com o fogão a lenha já aceso. Que bom. O quente, envolvente. Sabe bem ali estar, pelas noites frias. Ali se sente o calor. Da casa e humano. Uma sopa fumegante, um pão do dia anterior aquecido e com queijo, tabuleiros com legumes ou maçãs assadas. Do pouco se faz muito. 
E se sobram batatas-doces assadas nestes dias, porque não fazer estas deliciosas bolinhas com atum? Há sempre ideias para colorir os dias e as marmitas. E estas são mesmo boas!




Bolinhas de Atum e Batata-Doce
(para 8 bolinhas)

250 gr batata-doce descascada crua (ou 3/4 chávena de puré)
1/2 cebola pequena picada
1 colher (sopa) salsa picada
1 gema de ovo
2 colheres (sopa) flocos de aveia
sal q.b.
sementes de sésamo brancas e pretas q.b.

Para servir:
curgete e cenoura ralada
bagos de romã
100ml iogurte natural
1 colher (chá) de harissa


Preparação

Cozer a batata-doce em pedaços, e esmagar em puré. Em alternativa usar restos de batata-doce assada e esmagar até obter a quantidade desejada.
Numa taça colocar o puré, o atum esfarelado, a cebola, salsa, gema, flocos e sal a gosto. Mexer muito bem, envolvendo todos os ingredientes.
Com as mãos molhadas, formar bolinhas com a massa e rolar em sementes de sésamo.
Colocar as bolinhas preparadas num tabuleiro com papel vegetal antiaderente, e levar ao forno pré-aquecido a 200ºC durante uns 20 minutos.
Servir as bolinhas com uma salada de cenoura e curgete ralada, enfeitada com bagos de romã e temperada a gosto. E com iogurte natural onde se mistura a pasta de harissa.

Bom Apetite!








Almofadas de Salmão e Batata-Doce








É Verão! O sol brilha lá fora e o mar está bem azul, reflectindo o céu limpo e o desejo de dias longos e noites quentes. As pessoas juntam-se para petiscadas e os piqueniques soam mesmo bem. É tempo de convívios e juntar amigos em volta de saladas e pratos frescos, petiscos deliciosos.
Como este de hoje. Feito já há algum tempo, para um piquenique lá fora, à sombra de uns pinheiros e eucaliptos. Por entre boa disposição e refrescos se foram comendo estas almofadinhas, deliciosas. Com salmão, batata-doce, lima e cebolinho.
Uma receita do livro Natural by Chakall, um livro que nos inspira com pratos bem originais e que apela ao despertar dos sentidos. Um livro que nos diz que nunca devem faltar a alegria e as ervas aromáticas nas nossas cozinhas. Com elas podemos reduzir bastante a quantidade de sal e provocar um misto de sensações e perfumes num simples prato. Que comemos com prazer, à sombra daquele dia tão bem passado.
Vamos lá piquenicar?


Almofadas de Salmão e Batata-Doce
(receita adaptada do livro Natural by Chakall)

300 gr de batata-doce
300 gr de salmão fresco
1 gema
sumo e raspa de 1 lima
2 colheres de sopa de cebolinho picado
2 colheres de sopa de salsa picada
2 colheres de sopa de farinha trigo
1 fio de azeite


Preparação

Numa panela com água a ferver colocar a batata-doce inteira (mas descascada) e deixar cozinhar por 8-9 minutos. Retirar e passar por um ralador.
Juntar as batatas raladas, a gema, o salmão cortado em cubos muito pequeninos, o sumo e a raspa de lima, o cebolinho e a salsa.
Misturar muito bem e caso queira, temperar com sal e pimenta (não coloquei).
Fazer pequenas bolas com a massa e passar por farinha.
Colocar num tabuleiro untado com um fio de azeite e levar ao forno a 200ºC até dourar.
Servir como entrada ou acompanhado de uma boa salada.
Nota:  na receita original as almofadas eram cozinhadas numa frigideira com azeite e dourando de ambos os lados.

Bom Apetite!












O meu gato convidou para jantar... o Garfield


Era final de tarde quando ele chegou. A sua pelagem laranja tigrada brilhava ao sol e o seu ar superior não deixavam ninguém indiferente à sua passagem.
Há uma semana atrás quando fui informada pelo meu gato que o Garfield viria jantar connosco, não acreditei. Disse-lhe que só poderia estar a brincar comigo. Insistiu muito, enquanto me dava turrinhas e ronronava, até que me convenceu. Avisou-me que o jantar não poderia ser a uma segunda feira pois era o dia em que ambos estariam de mau humor. Eu acenei sorrindo, escolhemos o dia e eu preparei tudo de forma a atender ao seu pedido.
E não é que o Garfield apareceu mesmo? O Garfield, o famoso gato, com um humor bem peculiar, irónico e sarcástico, preguiçoso e malandro, jantaria em minha casa.


O meu gato estava à porta à espera, trocaram saudações e miaram um pouco, enquanto eu os observava da janela da cozinha... "devo estar louca...preciso mesmo de umas férias".
O Garfield parecia seduzido pelo quintal e pelo jardim, as árvores, as borboletas, os pássaros e os cheiros primaveris. O meu gato desafiou-o para uma corrida e trepar árvores, mas o Garfield riu-se e disse que respirar já era um bom exercício. Por isso enquanto o meu gato corria numa busca incessante por um insecto, o Garfield esticou-se numa rede na laranjeira e preparou-se para uma bela sesta. Disse para o avisarmos quando o jantar estivesse pronto.
Eu na cozinha ia preparando o banquete. Para entrada, uns jaquinzinhos e um paté de sardinha. Para prato principal, uma lasanha de salmão (o que mais poderia ser?). E para sobremesa uma mousse de delícias do mar e camarão. Tive de mobilizar fornos de vizinhas, pois sabia do grande apetite do bichano, e tentei fazer o maior número de travessas de lasanha possíveis. Foi uma estafa. Assim que terminei, fui chamar os meninos.
Fui até à rede, onde era suposto estar o felino, mas não o encontrei. Dei uma volta o quintal, chamei por eles, mas nada... Fui então encontrá-los perto da casa da vizinha, agachados nas ervas, a olhar para o mesmo sítio... a gata da vizinha, a fazer a sua higiene pessoal. Que malandrecos.
Avisei que o jantar estava pronto! Foi o suficiente para ele olhar para mim e desviar a sua atenção. Os seus olhos arregalaram-se ao som da comida, e foi bem rápido que a bolinha de pêlo seguiu o meu gato até à sala de jantar.
Falámos então um pouco sobre ele, o facto de ter nascido num restaurante italiano e o seu amor incondicional por lasanha. Uma obsessão. Adorou a lasanha de salmão, e comeu sozinho 7 tabuleiros. Ia retirando algumas nabiças para o lado, armado em esquisito, e lambendo as almofadinhas das patas. Eu estava perplexa, mas contente por ele apreciar. O meu gato olhava com orgulho para o amigo, e com uma pontinha de inveja por eu não lhe preparar banquetes destes todos os dias. Era o que mais faltava!
Depois de jantar e de mais uma sesta na sala, tempo ainda para preparem uma armadilha à minha cadela, que apanhou um valente susto, enquanto os traquinas se riam e gozavam com ela.
Despediram-se e o Garfield apanhou um táxi (claro que a pé é que não iria, seria uma canseira), e avisou que voltaria no Verão para mais um banquete de lasanha. Eu acenei um adeus enquanto pensava "e agora, quem vai lavar aquela pilha de loiça?"


Esta é a minha participação na 3ª edição do projecto da Ana, "Convidei para jantar...", cujo tema proposto para este mês, pela anfitriã Su, foram Personagens de Desenhos Animados que nos marcaram na infância.







Lasanha de Salmão em Creme de Batata-Doce e Ricotta

placas de lasanha frescas
2 lombos de salmão
150 gr de nabiças (ou espinafres)
1 dente de alho
2 batatas-doces médias
tomilho fresco q.b.
leite q.b.
100 gr de ricotta
queijo mozarella ralado q.b.
sal e azeite q.b.


Preparação

Descascar e cortar em cubos as batatas-doces. Colocá-las num tabuleiro, temperar com sal, tomilho e um fio de azeite e levar ao forno a 200ºC até ficarem assadas.
Enquanto isso, cozer o salmão com sal, escorrer, retirar peles e desfiar. Reservar.
Numa frigideira, colocar um fio de azeite e um dente de alho, deixar alourar e colocar as nabiças (previamente cozidas) a saltear. Adicionar o salmão e envolver. Reservar.
Quando as batatas estiverem assadas, retirar os pés de tomilho, colocá-las numa taça e triturar até puré. Adicionar leite a gosto e a ricotta e mexer até ficar homogéneo.
Num tabuleiro de forno, untar o fundo com azeite e colocar placas de lasanha. Por cima, uma camada do creme de batata e ricotta. Depois uma camada de nabiças e de salmão. Repetir as placas de lasanha e os restantes ingredientes. Colocar mais placas de lasanha e finalizar com o queijo ralado.
Levar ao forno a 200ºC até o queijo derreter e dourar e a massa cozer (uns 25-30 minutos).

Bom Apetite!



Polvo no Forno Aromático


Há momentos especiais. Trocas de experiências e carinho. Lembro-me quando era pequenina, uns 8 anos, íamos passear de carro, e o meu pai deixava-me conduzir (ou pensava eu)! Ia ao seu colo e ele retirava as mãos do volante, colocava eu as minhas, e lá ia a controlar o carro, uma emoção! Sentia adrenalina e tinha medo, mas ao mesmo tempo não queria que terminasse a aventura.
Um pai está sempre lá, o seu carinho e amor são inabaláveis. Sentimos segurança e sabemos que somos amados. Percorremos juntos um caminho de amizade e aprendizagem. E muita aventura.
Cá em casa não somos de comemorar datas disto nem daquilo, mas o dia do pai acaba por ser um dia especial para nós, um dia que nos une.
Este polvo, que fui encontrar no baú das receitas, não foi feito neste dia. Não gostei das fotografias e acabei por as colocar de lado e ficou esquecido. Não sei porquê, mas não consigo tirar boas fotografias a moluscos e peixes em geral. Mas não podia deixar de o colocar aqui, porque foi uma receita feita a dois, por mim e pelo meu pai.
O meu pai tem muito jeito para a cozinha (às vezes não tem é paciência!), faz grandes feijoadas, açordas, cabidelas, bacalhaus, petiscos e mariscos, tudo na perfeição. E é sempre um prazer poder aprender com ele. Este polvo, aprendemos os dois a fazer com o chef Henrique Sá Pessoa, e ficou já como uma receita nossa. Fica super tenro, suculento e perfumado. Nem imaginam os aromas libertados durante o tempo no forno. É qualquer coisa de maravilhoso. E foi ao lembrar-me desses aromas, que tive a certeza que o tinha de partilhar convosco.
Um polvo que não foi feito para o dia do pai, mas sim, feito com o pai, com carinho e sempre a aprender.


Polvo no Forno Aromático
(receita do chef Henrique Sá Pessoa)

1 polvo fresco
2 cebolas
2 tomates
1 cabeça de alho
1 folha de louro
tomilho fresco q.b.
alecrim fresco q.b.
azeite q.b.


Preparação

Colocar uma quantidade generosa de azeite num tabuleiro. Colocar uma cebola e um tomate em fatias, os dentes de alho e o louro. Por o polvo em cima (não necessita de salgar o polvo).
Colocar mais azeite e o alecrim e tomilho a gosto. Por cima, juntar mais uma cebola e o tomate cortados em fatias e tapar o tabuleiro com papel de alumínio. Levar ao forno durante umas 2 horas a 200ºC. Servir com batatinha a murro.

Bom Apetite!


Convidei para jantar...Anthony Bourdain

Preparar uma refeição para alguém é algo muito especial. Transmitimos através da comida a nossa dedicação e afecto pelas pessoas com quem a partilhamos. O cuidado com que é preparada e servida, todo o ritual de nos sentarmos à volta de uma mesa partilhando a refeição e uma boa conversa é algo mágico. Por isso abracei este projecto "Convidei para jantar..." da autoria da Ana, do Anasbageri, com muito carinho e vontade. Um desafio que apela à criatividade e imaginação.
O tema deste mês para a 2ª edição do projecto, foi escolhido pela anfitriã Suzana do belíssimo Gourmets Amadores, no qual escolheríamos um chef e/ou cozinheiro, que gostaríamos de receber na nossa casa.

Convidei o chef Anthony Bourdain, aproveitando a sua última visita a Lisboa para gravar um episódio do programa No Reservations. Sabia que me iria sentir mais à vontade e confiante, por ele ser uma pessoa muito descontraída e curiosa pelas tradições de cada país, sem receios de provar coisas diferentes, já que iria ser uma tarefa bem difícil surpreender alguém que faz da comida o seu trabalho.

Tentei recriar um ambiente de tasquinha na minha cozinha e sala de jantar, tornando-a acolhedora. Usei a loiça de barro e coloquei jarros de vinho de um produtor local no centro da mesa. Pensei para esta ocasião preparar um jantar baseado em entradinhas e petiscos típicos. Um jantar informal, sem regras e etiquetas, sem uma ementa muito elaborada, para se ir petiscando, com boa conversa e bom vinho.
Servi num clima descontraído, saladinha de polvo, pataniscas, jaquinzinhos fritos, salada de orelha, ameijoas à bulhão pato, ovos mexidos com alheira, a famosa punheta de bacalhau (soltou uma grande risada quando eu traduzi o nome) e outras iguarias. Sem esquecer os enchidos portugueses com que ele se deliciou e os queijos nacionais. Ficou encantado com o queijo da serra, e não se cansou de barrar fatias de broa de milho com ele. Toda a refeição foi bem regada por vinho tinto alentejano e um de um produtor local (este mais barato, mas muito do seu agrado).
A minha família sorriu contente por vê-lo comer e beber com tanto gosto. A minha avó em especial (que ainda é do tempo em que se passou fome) ficou deliciada com o seu apetite e mesmo não percebendo inglês disse-lhe: "senhor Tony, coma mais um bocadinho disto..."
Um serão muito bem passado, com valentes gargalhadas e boa conversa. Falámos do seu programa, das suas viagens, das coisas mais estranhas que já tinha comido e das mais deliciosas. De projectos futuros. Da riqueza cultural e culinária. Falámos da música portuguesa, do vinho português, das nossas tradições e da nossa gastronomia. Da qualidade do peixe fresco e do marisco, da doçaria conventual.
Tempo ainda (e estômago) para uma sobremesa. Uma sericaia, doce típico alentejano, servido com ameixas em calda, caseiras. E uns ovos moles de Aveiro. Um digestivo para finalizar.
Disse-me que estava tudo do seu agrado e que tinha gostado particularmente das pataniscas de bacalhau (receita da minha mãe) e que gostaria de levar a receita para a recriar e reinventar no seu restaurante Les Halles em Nova Iorque. Imaginam o meu entusiasmo enquanto a escrevia!
Despedidas feitas e votos de sucesso trocados, e um garrafão do vinho local oferecido com uma certa timidez, aqui fica a receita que o seduziu nessa noite.




Pataniscas de Bacalhau
(receita da mãe)

3 a 4 postas de bacalhau (grandes)
2 ovos
10 colheres (sopa) rasas de farinha trigo
1 colher (sopa) de maisena
1 colher (chá) de fermento
1 pitada de colorau
1 pitada de sal
1 raminho de salsa
leite q.b.


Preparação

Desfiar as postas de bacalhau cru à parte e reservar.
Numa taça bater bem os ovos com a farinha, a maisena, o fermento. Juntar leite até formar um polme. Temperar com o sal e o colorau a gosto.
Adicionar a salsa picadinha e o bacalhau envolvendo bem. Se notar a massa muito pesada, juntar um pouco de leite.
Numa frigideira, aquecer óleo e quando estiver bem quente colocar pequenas porções da massa, deixando fritar de ambos os lados. Escorrer em papel absorvente. Servir.

Bom Apetite!






Sonhos de Atum e Leite-Creme Exótico para a Maria


A Moira lançou-nos um verdadeiro desafio, para comemorar o 4º aniversário do Tertúlia de Sabores. Este desafio propõe que criemos uma receita para a Maria, que está em Timor Leste como voluntária das Nações Unidas, e que tem limitações a nível de alimentos e utensílios de cozinha.
Cozinhar com pouco nem sempre é fácil e temos de puxar pela imaginação para criar pratos diferentes, fáceis de executar e que nos satisfaçam.
Não quis deixar de contribuir para este desafio. Mas foi realmente um desafio! Não é fácil cozinhar sem os utensílios aos quais estamos habituados. Ia pensando em receitas, mas necessitava sempre de algum ingrediente ou utensílio fora da lista, já para não falar na falta de forno.
Lembrei-me então dum género de pataniscas de atum bem apetitosas e simples de confeccionar, que poderão ser servidas com arroz de tomate e salada, e para sobremesa um leite-creme com fruta. Espero que a Maria goste e que lhe corra tudo bem nesta etapa tão nobre da sua vida.


Sonhos de Atum

1 lata de atum
1/2 cebola picada
salsa picada a gosto
2 ovos
8 colheres (sopa) de farinha
1/2 chávena de leite
pitada de sal
pitada de colorau
óleo para fritar


Leite-Creme Exótico

1 banana
1 papaia
2 chávenas de leite
3 gemas
1 colher (sopa) cheia de farinha
3/4 chávena de açúcar
casca de limão
gotas de sumo de limão
canela em pó para polvilhar


Preparação

Para os sonhos de atum, misturar com a ajuda de uma colher, a farinha com os ovos e o leite. Quando estiver a massa homogénea adicionar o atum escorrido, a cebola e a salsa. Misturar suavemente. Temperar com uma pitada de sal e colorau. Envolver. Aquecer o óleo numa frigideira, e colocar colheradas do preparado, deixando fritar de ambos os lados. Retirar e deixar escorrer o óleo. Servir os sonhos com arroz de tomate e salada de alface.
Para o leite-creme exótico, colocar num tacho as gemas, o açúcar e a farinha. Misturar bem e ir juntando o leite aos poucos, mexendo sempre para ficar homogéneo. Juntar uma casca de limão e levar ao lume brando, deixando cozinhar e mexendo, até a mistura engrossar. Retire do lume e deixe arrefecer um pouco. Enquanto isso, descascar as frutas e cortar em cubinhos, regar a fruta com algumas gotas de sumo de limão e dispor em taças ou chávenas. Por cima da fruta colocar o leite creme. Deixar arrefecer completamente e polvilhar com canela. Servir frio.

Bom Apetite Maria!