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Pão de Alfarroba na Cocotte



Posso eu repetir os mesmo textos, as mesmas linhas e as mesmas histórias? Mesmo que seja com outras receitas? Acho que sim. Afinal de contas, adoro pão.
Sabe tão bem fazer um pão em casa. Acho que me posso repetir para sempre, no que toca a preparar um pão, é um conforto para a alma. E o tempo lá fora tem convidado a isso, a ligar o forno e amassar um pão. Fatiá-lo ainda quente, sentir o seu aroma, o seu conforto, o seu sustento.

Arrumei a minha máquina do pão há mais de dois anos. Está guardada e pronta a seguir viagem para outra casa, para novos donos que se queiram aventurar a fazer pão.
Foi um processo natural, deixar de amassar o pão na máquina. Afinal o que me dá prazer é mesmo amassar a massa, usar as mãos, ver dali crescer alimento. 
Mas também gosto muito de fazer pão mesmo sem amassar, como o desta receita, em que não precisamos de colocar a "mão na massa".

Gosto de todas as possibilidades que rodeiam o preparar de um pão. Como o pão sem levedar, e o pão sem amassar. Gosto particularmente de ambos, e sei que ainda há muitos pães por descobrir na minha cozinha. Para já penso apenas na crosta perfeita deste pão, cozido dentro da cocotte Staub.
Ficam perfeitos os pães cozidos na panela de ferro, adoro como ficam rústicos, como crescem e como a crosta fica estaladiça e crocante. Aventurem-se vocês também e preparem um pão, da panela para a vossa mesa, partilhem o que é bom.






Pão de Alfarroba na Cocotte
(adaptado do "No-Knead Bread")

2 chávenas de farinha de trigo
3/4 chávena de farinha de centeio
1/4 chávena de farinha de alfarroba
1 colher (chá) de sal
1/2 colher (chá) de fermento de padeiro seco
1 chávena de água morna

3/4 chávena de figos secos 
3/4 chávena de nozes pecãs
(1/2 chávena de farinha de trigo)


Preparação

Numa taça grande colocar as farinhas, sal e fermento, mexer com a colher de pau. Misturar a água morna, e envolver bem sem amassar, só até ficar bem misturado.
Tapar a taça com película aderente e deixar levedar à temperatura ambiente umas 12h (até 18h). 
Depois de levedar, colocar a massa numa superfície enfarinhada e adicionar a ela as nozes e figos picados grosseiramente. Usar um pouco mais de farinha (aquela 1/2 chávena ou mais se necessário) para envolver na massa e misturar ligeiramente os frutos secos, dobrar a massa ao meio e novamente ao meio. Deixar a massa levedar por mais uma a duas horas, com um pano em cima.
Pré-aquecer o forno a 200ºC e colocar lá dentro uma cocotte com tampa por 30 minutos.
Formar uma bola com a massa, colocar sobre papel vegetal antiaderente e salpicar a parte de cima com farinha. Com uma faca, fazer um corte em forma de cruz na superfície da massa.
Com cuidado retirar a cocotte quente do forno. Colocar a massa com o papel vegetal dentro da cocotte e levar ao forno com a tampa por uns 30 minutos a 200ºC.
Ao fim desse tempo retirar a tampa e deixar cozer até dourar, mais uns 15-20 minutos.
Retirar o pão da cocotte e fatiar morno ou frio.

Notas:
Poderá preparar a massa à noite para a deixar levedar as 12h e ao dia seguinte preparar o pão no forno.
Para fazer este pão vai precisar de uma panela de ferro fundido (ideal), como esta cocotte da Staub, e que não tenha nenhuma parte que possa derreter com o calor, de forma a criar óptimas condições de humidade e temperatura para cozer o pão.

Bom Apetite!







Pão Recheado com Funcho Caramelizado e Queijo de Cabra



Pão. Queijo. Amigos à mesa. Jantares e petiscos de comer à mão. Comida de conforto para picar.
Não é preciso muito quando nos juntamos à mesa. Amigos de sempre e noites de conversa boa, enquanto se petisca daqui e dali. E dum simples pão, se faz uma iguaria de lamber os dedos.

Nos nossos jantares de convívio nunca pode faltar um pão recheado, há sempre pedidos de receitas favoritas e sei que num instante desaparecem da mesa.
Há receitas que ficam sempre marcadas para fazer nessas ocasiões. E voltar a repetir. Esta é sem dúvida uma delas. Um pão recheado com funcho e cebola caramelizados, queijo de cabra e o perfume do tomilho.

"Há poucas coisas melhores do que partilhar bons momentos com as pessoas de quem mais gostamos, entre deliciosos petiscos e longas conversas" diz a Joana Alves, autora desta receita que se encontra no seu lindo e novo livro 'Natural'.
Um livro inspirador, onde facilmente entramos na aventura da Joana e nos deixamos seduzir por pratos ricos em nutrientes e cores, saudáveis, vegetarianos e acima de tudo deliciosos.

Tenho a sorte e o prazer de conhecer a Joana, o seu sorriso contagiante e a sua comida honesta e vegetariana que vai partilhando no Le Passe Vite. Um dos meus pratos de eleição é uma adaptação da receita dela (o esparguete com beterraba!). Com ela tenho aprendido muito sobre alimentos que antes nem conhecia e a melhor forma de os utilizar no dia-a-dia. E cada vez tenho mais vontade de fazer receitas vegetarianas em casa. Se ainda não conhecem o livro, aconselho a espreitarem e colocarem a mão na massa. Ah, e façam este pão, e vejam como num instante desaparece da vossa mesa!







Pão Recheado com Funcho Caramelizado e Queijo de Cabra

1 pão tipo baguete ou ciabatta
1 bolbo de funcho
1 cebola
6-8 rodelas de queijo de cabra
tomilho fresco q.b.
vinagre balsâmico q.b.
azeite q.b.
sal q.b.


Preparação

Cortar o funcho e a cebola em rodelas bem fininhas. Aquecer um pouco de azeite numa frigideira e colocar o azeite e a cebola, bem espalhados, de forma a que as rodelas não se sobreponham muito.
Deixar cozinhar sem mexer, durante alguns minutos, até começar a caramelizar. Mexer e deixar caramelizar na totalidade. Temperar com um pouco de vinagre balsâmico e sal a gosto, e deixar cozinhar por mais 2 minutos e reservar.
Pré-aquecer o forno a 180ºC.
Colocar o pão numa folha de papel vegetal e pincelar com um pouco de azeite. Cortar o pão em fatias diagonais e cruzadas, evitando ir até à base para não as separar.
Esmigalhar o queijo de cabra e misturar com o funcho e a cebola caramelizados. Juntar umas folhinhas de tomilho fresco a este recheio.
Rechear generosamente cada golpe com esta mistura e fazer um embrulho com o papel vegetal de modo a fechar o pão dentro dele.
Levar o pão embrulhado, ao forno, por 15-20 minutos. Abrir o embrulho e deixar tostar por uns 5 minutos.
Servir quente, salpicado com mais tomilho fresco.

Bom Apetite!




Pão Integral com Figos e Nozes



Há alturas em que o cansaço se apodera, mais vezes do que as que eu desejaria. "É bom ter trabalho!", vou sempre ouvindo dizer, e na realidade é. Os dias preenchidos acabam por ser gratificantes e ricos em experiências. Uma constante aprendizagem, é assim a minha profissão. Enquanto vou aprendendo coisas novas, estudo outras, alimento as leituras não culinárias e pratico com os novos equipamentos de cirurgia. Têm sido meses bons. Mas sim, ando cansada. E para além disso engripada e garganta irritada e dores nas costas. Nem sempre é fácil lidar com tudo, estar sempre preparada para agir, quando o corpo pede para abrandar.

Na cozinha entro também muitas vezes em modo automático e faço receitas que quase se fazem sozinhas. Ter sopa sempre feita é muito bom, e ao chegar tarde a casa é um conforto comer uma tacinha quente. Fruta variada e da época sempre na cesta e na mala. E pão que nunca pode faltar, mesmo que seja duro. Refeições rápidas e fáceis para os dias da semana, que não me obriguem a pensar. 
Não consigo é estar muito tempo sem pôr a mão na massa. Sem ligar o forno. Sem fazer um bolinho ou um pão, umas bolachinhas ou algo que torne os dias cansativos bem mais leves. É sempre na cozinha que essa magia acontece. 

E fazer um pão é sempre algo que me dá muito prazer. Gosto de amassar, cada vez menos uso a batedeira eléctrica e mesmo a máquina do pão está guardada há mais de dois anos. O acto de amassar é mesmo relaxante. Mas nem sempre há tempo para o processo de levedar e é por isso que os pães rápidos ("quick bread") são uma alternativa muito boa, a ter pão caseiro em casa, de forma rápida. 
Esta receita é de um livro que já vos falei, o Food52 Baking, ando perdida de amores por ele (eu e os livros de culinária), e é adaptada de uma do Mark Bittman. É um pão rápido e fácil de fazer, misturar líquidos com sólidos, é ligeiramente doce, usa variedade de farinhas, é rico e massudo (mas do tipo massudo que eu gosto, não sei se me faço entender). Podem substituir o melaço por mel, o iogurte por "buttermilk", e mudar as frutas secas a vosso gosto. Fica com um ar bastante rústico, e é perfeito durante 2-3 dias, mesmo torradinho em fatias. Com manteiga e uma chávena quente de cevada.






Pão Integral com Figos e Nozes
(do livro Food52 Baking)

175 gr de farinha trigo integral
100 gr de farinha centeio
75 gr de farinha milho
1 colher (chá) de sal
1 colher (chá) de bicarbonato de sódio
100 ml de melaço
375 ml de iogurte natural
100 gr de nozes
100 gr de figos secos


Preparação

Pré-aquecer o forno a 170ºC. Untar com manteiga e forrar com papel vegetal uma forma de bolo inglês.
Numa taça misturar as farinhas, com o sal e o bicarbonato.
Noutra taça mexer bem o iogurte com o melaço. Adicionar aos poucos à mistura das farinhas e ir envolvendo bem. A massa vai ficar muito espessa.
Incorporar os figos e nozes, picados grosseiramente, na massa e colocar na forma, sem alisar o topo.
Vai ao forno até cozer (uns 45-60 minutos), façam o teste do palito e se necessário coloquem papel de alumínio a tapar, se começar a ficar muito escuro a meio da cozedura.
Desenformar e esperar que arrefeça completamente antes de fatiar (eu esperei!).

Bom Apetite!





Rolinhos de Canela



Há receitas que experimentamos uma primeira vez, e ao provar temos a certeza que as vamos voltar a fazer. Muitas e muitas vezes. E entram nas nossas vidas e ficam nos nossos cadernos de receitas.
Vão continuando a ser feitas e amassadas com amor, e servidas e partilhadas com a família e amigos.
Gosto dessas receitas, do voltar a fazer algo familiar, do escrever a receita numa folha e entregar a quem ma pede, da sensação de que fazem parte da nossa história.

Algumas destas receitas estão aqui pelo blog, e dizem-me muito. Como o meu pão de banana e chocolate e as minhas cookies favoritas, os meus primeiros scones e a receita a que volto sempre sem pensar, os muffins que desaparecem num instante, o gelado preferido da minha avó, as panquecas de mirtilo que não podem faltar nos lanches com os meus amigos, o bolo de nutella, o meu toucinho do céu, os quadradinhos de chocolate que adoro oferecer, aqueles snacks e trufas deliciosos e a minha granola preferida. São só alguns exemplos de receitas que vieram para ficar.




Para ficar veio também a receita destes rolinhos de canela, deste livro que adoro. Seriam só mais uns enroladinhos de canela, mas não. A primeira vez que os fiz foi no verão (podem ver aqui), logo depois do S. João. Não precisavam de levedar! Maravilha, porque o tempo é sempre contado e no verão há muita coisa boa para fazer fora de casa. E não é que ficaram deliciosos? Mesmo no dia seguinte. 
Voltei a fazer mais umas duas vezes para levarmos para a praia e para um brunch. E agora que chegou o outono em força tenho a certeza que é receita para ele. Com cheirinho a canela. 

Os últimos rolinhos destes que provei foram feitos pelo Célio do Sweet Gula e com um lindo styling da Migalha Doce, no Workshop de Fotografia de Comida da Maria Midões. Um dia intenso em que aprendi e me diverti tanto, ao lado de pessoas inspiradoras. A Maria é uma pessoa especial, de uma generosidade imensa, que por vezes é tão difícil encontrarmos nos dias que correm. Nota-se a paixão com que faz as coisas, com que as partilha. O seu sorriso é contagiante. O espaço era perfeito.
Associados a memórias de verão, a dias felizes, boas partilhas, e a pessoas que me inspiram, estes rolinhos tinham de ter lugar aqui no blog. Nas receitas que já fazem parte cá de casa.





Rolinhos de Canela
(do livro The Violet Bakery Cookbook, de Claire Ptak)

recheio: 
75 gr de manteiga derretida
200 gr de açúcar mascavado claro
1 colher (sopa) de canela em pó

massa:
550 gr de farinha trigo
2 colheres (chá) de fermento
1 colher (chá) de sal fino
1 colher (chá) de cardamomo em pó
200 gr de manteiga fria e em cubos
250-300 ml de leite frio


Preparação

Pré-aquecer o forno a 180ºC. Untar com manteiga uma forma de 12 muffins.
Preparar o recheio derretendo a manteiga e mantendo-a num sítio quente para ela continuar líquida. Misturar o açúcar com a canela e reservar.
Para a massa, misturar os ingredientes secos (farinha, fermento, sal e cardamomo) com a manteiga em cubos na batedeira, até formar migalhas. Aos poucos adicionar o leite frio, com a batedeira ligada e deixar amassar até formar uma massa homogénea em bola.
Colocar a massa numa superfície enfarinhada e amassar ligeiramente, deixando depois repousar por 10 minutos. 
Espalhar a massa numa superfície enfarinhada, usando o rolo da massa, até obter um rectângulo com uns 5mm de espessura.
Pincelar a superfície com a manteiga derretida e salpicar com o açúcar e canela.
Enrolar desde a extremidade mais longa até à outra, formando um rolo.
Cortar o rolo em 12 fatias iguais (poderá sobrar um pouco de massa nas pontas que ficam sempre mais finas ou com pouco recheio).
Colocar as fatias no tabuleiro preparado, com a face da espiral virada para cima (a autora sugere puxar um pouco de massa para tapar o fundo do rolinho, e manter o recheio dentro).
Vão ao forno por 25 minutos ou até cozer e dourar (teste do palito). 
Desenformar assim que saiam do forno e passar a superfície de cada rolinho em açúcar (se o desejar).

Bom Apetite!








Rolinhos de Pão de Alho e Coentros



Aqueles dias em que reunimos amigos à mesa, em nossa casa ou na casa deles. São sempre bons momentos. De convívio e risadas, de reviver e contar histórias e de muito petiscar.
Afinal de contas em volta de uma mesa há sempre memórias felizes e é sempre um ponto de união, é assim que estamos juntos tantas vezes.
E o que gostamos mesmo é de petiscar com as mãos, enquanto as conversas se alargam pela noite.
É raro fazer um só prato de refeição. Preferimos ter uma mesa cheia de entradas e petiscos, para ir saboreando devagar.

Há petiscos que se vão tornando clássicos e já sei que para certos amigos tenho de ter este ou aquele prato preparado para haver os tais momentos de suspiro e "hum hum". E é certo que um pão de alho morninho faz as delícias de todos. Por isso muitas vezes compro logo uma baguete na padaria, e corto, antes de a rechear com um creme vegetal com alho e ervas aromáticas. Outras vezes faço a massa do pão de base, porque adoro amassar e ver o pão levedar e crescer no forno. Os sentidos pedem isso, aguardam pelo toque e pelo cheiro, e mais tarde pelos olhos e pelo gosto.

Prefiro usar os cremes vegetais no meu dia-a-dia, por todos os seus benefícios (são ricos em ómega 3, em vitaminas A, D e E, e sem gorduras trans nem colesterol). Podem ver aqui no site Escolha Vegetal mais sobre o assunto, e como é fácil criarem e fazerem a vossa receita de creme vegetal em casa, devidamente adaptada à realidade do dia-a-dia e a aromatizarem a vosso gosto. Eu adoro usar para fazer um delicioso creme com alho e coentros. E rechear massa de pão, enrolar, cortar, e forno com eles. Depois é só colocar na mesa ainda quentinhos e ver os rolinhos a desaparecerem num instante. Felicidade à mesa.






Rolinhos de Pão de Alho e Coentros

Massa: 
500 gr farinha de trigo sem fermento
7gr de fermento biológico seco
1 colher (chá) de sal
3 colheres (sopa) de azeite
300 ml de água morna

Recheio:
4 dentes de alho picados
2-3 colheres (sopa) de coentros frescos picados


Preparação

Começar por preparar a massa do pão. Numa taça colocar a farinha, abrir um buraco no centro e colocar o azeite, o sal e o fermento, começando a misturar. Juntar a água aos poucos e ir envolvendo com a colher de pau até começar a formar uma massa.
Passar a massa para uma superfície enfarinhada e amassar durante uns 5 minutos. Enrolar numa bola, colocar numa taça, tapar com um pano e deixar a levedar por uma a duas horas, até dobrar em volume.
Depois disso preparar o creme vegetal, batendo ligeiramente a Flora numa taça com os alhos picadinhos e os coentros, envolvendo bem.
Depois da massa levedada, passar para uma superfície enfarinhada e esticar com um rolo num rectângulo. Espalhar o creme de alho e coentros, barrando com uma faca ou espátula.
Enrolar a massa, desde o lado maior do rectângulo, formando um rolo. Com uma faca cortar em pequenos rolos de 4 cm. 
Colocar cada rolinho numa forma forrada com papel vegetal, e com o lado em que se vê o enrolado para cima.
Levar a forno pré-aquecido a 180ºC durante uns 20-25 minutos ou até cozer. Ao sair do forno pincelar com um pouco mais do creme com Flora e servir ainda quente.

Bom Apetite!



Ovos Bombay e Pão Naan



Há dias em que tudo se conjuga a preparar um determinado prato na cozinha. É o Verão e a sua abundância, as suas cores que se querem juntar à mesa. A horta onde o meu pai planta sempre várias variedades de tomate e por esta altura se vê pintada de vermelho, e há sempre uma salada na nossa mesa. Um molho de espinafres que nos chega por mãos amigas. Os ovos caseiros das nossas galinhas. Uma panela nova da Le Creseut, na qual é sempre um prazer cozinhar, e faz as delícias ao fogão.

Vem um dia de chuva a meio de Agosto, em que acordas e o cinza que se espalha no céu, te empurra para a mesa da cozinha para amassar um pão. Sabe tão bem. Já tinha saudades de por a mão na massa. Na ideia anda um almoço indiano com as minhas colegas veterinárias, mas como todas moramos longe e os nossos horários com urgências e fins-de-semana são difíceis de conciliar, vamos adiando e sonhando, já com saudades de estarmos todas juntas à mesa.

A inspiração para além de tudo escrito acima, vem de um livro que adoro, o 'Made in India' da Meera Sodha. Adoro as receitas dela. A sua cozinha indiana é uma mistura de cheiros e cores, com receitas da sua família e muitas especiarias a perfumar. Uma forma de viajar sem sair de casa. Tudo tão simples e fácil de fazer, que estou sempre a pensar qual será a próxima receita a deixar a minha cozinha com um cheiro fabuloso. Assim saem uns ovos Bombay e pão naan. As mão aguardam por serem estrelas no acto de comer, molhar o pão naan ainda morno no molho de tomate e na gema mole. As coisas simples que tanto gosto. Pura comida de conforto para o Verão. 






Ovos Bombay e Pão Naan
(do livro "Made in India" de Meera Sodha)

Para os Ovos:
2 colheres (chá) de sementes de coentros
1 colher (chá) de sementes de cominhos
4 colheres (sopa) de azeite
1 cebola picada
4 dentes de alho picados
3 cm gengibre fresco ralado
1 kg de tomate maduro em cubos
1 colher (chá) de sal
1/4 colher (chá) de curcuma
250gr de espinafres frescos
4-6 ovos
pimenta q.b.
coentros frescos picados q.b.
iogurte grego natural para servir

Para o Pão: 
500 gr de farinha trigo sem fermento
2 colheres (sopa) de azeite
4 colheres (sopa) de iogurte natural
7 gr de fermento seco biológico
2 colheres (chá) de açúcar
2 colheres (chá) de sal
1 colher de chá de fermento Royal
250 ml leite morno


Preparação

Começar por preparar a massa do pão. Colocar a farinha numa taça e abrir um buraco no centro onde se coloca o azeite, iogurte, fermento seco, açúcar, sal e fermento. Começar a mexer com as pontas dos dedos até ficar incorporado. Adicionar o leite morno aos poucos e mexer até começar a formar uma massa. Colocar esta massa numa superfície enfarinhada e amassar por 5 minutos. Formar uma bola com a massa e colocar numa taça, tapada com um pano e deixar levedar até dobrar de volume.
Passado uma hora ou quando a massa dobrar em volume, dividir em 12 a 15 pedaços. Espalmar cada pedaço entre as mãos e salpicar com farinha e estender com o rolo da massa em forma oval e com uns 3mm de altura. 
Aquecer uma frigideira em lume médio a alto e quando estiver quente colocar um naan de cada vez. Quando o pão começar a borbulhar usar uma espátula e virar, deixando cozinhar mais um pouco do outro lado. Poderá virar por mais duas vezes e pressionar a massa usando a espátula. Proceder da mesma forma com os restantes pedaços e empilhar os naans já feitos mantendo num local quente.

Para os ovos bombay, começar por colocar as sementes de coentros e cominhos a tostar numa panela, por uns 2 minutos. Colocar num almofariz e moer.
Colocar o azeite na panela e quando estiver quente juntar as especiarias, mexendo por um minuto. Adicionar a cebola e deixar cozinhar por uns 6-8 minutos até ligeiramente dourada. Depois juntar o alho e o gengibre, deixar cozinhar 2 minutos e juntar os tomates, mexendo ocasionalmente.
Os tomates vão cozer e reduzir por uns 15 minutos, e começar a formar um molho espesso e cremoso. Juntar depois o sal, a curcuma, mexer e por fim os espinafres. Deixar que estes cozinhem, percam o volume e se envolvam no molho. Partir os ovos um a um (pode usar tacinhas para cada ovo para ser mais fácil e rápido) e colocar cada um deles num buraco que se faz com a colher no molho de tomate, baixando o lume em seguida. Tapar a panela e deixar cozinhar por uns 10 minutos ou até a clara ficar sólida e a gema ainda mole.
Servir imediatamente com pimenta moída na hora, coentros frescos picados, o iogurte grego natural e o pão naan.

Bom Apetite!



Pão de Batata-Doce e Curgete



A minha primeira memória de pão na infância remete para a minha avó. Claro que já comia pão antes dessa memória, em torradas com manteiga pela manhã e com queijo ao lanche, mas o que mais me lembro são as noites de sexta-feira em que chegávamos a sua casa e a via amassar o pão.
Amassava o pão e a broa muito bem, a par da nossa vizinha, e era quase uma tradição fazer pão quando o forno a lenha estava aceso. 
E sentir o cheiro do pão acabado de fazer e caseiro, é algo que ainda me lembro bem, tão bem. Assim como o comer, ainda quente, ver o fumegar do miolo ao partir.
Das melhores coisas que podemos guardar nas memórias dos sentidos.

Para hoje, que se celebra mais um World Bread Day, comecei com esta memória. Do pão de outros tempos, feito em casa, pela minha avó. Ela já não tem forças para o amassar.
Mas sempre que chega a época do forno a lenha aceso, recordamo-nos desses tempos, e lá ponho eu as mãos na massa, ou a batedeira faz isso por mim, e cozemos mais um pão. Muitas vezes, bem diferente do habitual. Ainda me falta aprender muito na arte do pão, e tenho imensa vontade de fazer pães cada vez mais elaborados e distintos, mas nem sempre o tempo chega para tudo.



Andava indecisa em que pão fazer para esta data especial. Foi ao ver o livro novo da Mafalda Pinto Leite, que me decidi. Outono e batata-doce, combinam tão bem, como uma fatia deste pão com uma chávena de cevada bem quente. 
Estava escolhido o pão, e domingo passado foi o dia para o fazer e saborear. Em casa todos gostamos de um pão assim, bem fofo, que se come em jeito de bolo.
As Receitas da Mafalda, inspiraram-me assim para este dia do pão e para tantos outros, com receitas saudáveis, fáceis de preparar e deliciosas.
Muitas mais estão marcadas para fazer, pois gostamos de praticar uma alimentação saudável por regra, mas com margem para pecar.
Vamos lá fazer um pãozinho bom de batata-doce? Este mantém-se fofo por muitos dias. Fiz pequenas alterações, seguindo as sugestões. E foi fatia atrás de fatia.




Pão de Batata-Doce e Curgete
(adaptado do livro As Receitas da Mafalda, de Mafalda Pinto Leite)

2 chávenas de puré de batata-doce assada
3/4 chávena de curgete ralada com casca
2 colheres (sopa) de coco ralado
4 ovos batidos
2 colheres (sopa) de mel ou maple syrup
2 colheres (sopa) de azeite
1 chávena de farinha de trigo
1 chávena de farinha de espelta
2 colheres (chá) de fermento
1 pitada de sal
2 colheres (sopa) de pevides de abóbora


Preparação

Pré-aquecer o forno a 180ºC. Forrar uma forma de bolo inglês com papel vegetal antiaderente e reservar.
Numa taça colocar a polpa da batata-doce assada, a curgete ralada (e bem espremida), o coco ralado, os ovos, o mel/maple e o azeite. Misturar muito bem.
Juntar as farinhas, o fermento e o sal e incorporar bem.
Colocar a mistura na forma preparada, alisar a superfície da massa e espalhar as pevides de abóbora.
Levar ao forno até cozer (teste do palito), ou por uns 25-30 minutos.
Desenformar e deixar arrefecer ligeiramente antes de cortar.

Bom Apetite!





Coroa de Canela e Mirtilos e um Convite



O post de hoje vem em forma de convite. Há alguns meses atrás fui convidada pela Guida Cândido, Técnica Superior do Arquivo Fotográfico da Figueira da Foz, a fazer uma exposição com as minhas fotografias no CAE -  Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz.
É para mim uma honra poder partilhar o que faço, numa das salas do CAE, na minha cidade.
A fotografia para mim é uma forma de expressar o meu sentimento pela comida, pelos ingredientes sazonais e por descobrir, pelas viagens que podemos fazer em pratos, pela partilha, pelos afectos que podemos transmitir num prato de comida. 

Sou apenas uma fotágrafa amadora, com muito ainda por aprender e isso é tão bom, saber que estou sempre a caminho de aprender muito mais. De me entusiasmar e continuar a fazer o que gosto. E de olhar para trás e ver o quanto já aprendi.
A minha exposição de food photography e styling "A alma da minha cozinha", vai decorrer entre os dias 3 de Outubro e 2 de Novembro, na sala Afonso Cruz, no CAE, na Figueira da Foz.
E é com grande prazer que venho convidar-vos para a inauguração, dia 3 de Outubro, pelas 21 horas. Vou lá estar à vossa espera, com um sorriso. Vai ser bom estarmos juntos! Apareçam!



E para animar esta boa notícia, nada como partilhar convosco esta receita. Junta coisas que gosto. Coisas que me fazem feliz. O amassar a massa à mão, o ver levedar. A canela, os mirtilos, e ainda alguns morangos que vão crescendo na horta. O cheirinho que se espalha pela cozinha e casa enquanto coze, e o forno ligado. O provar ainda morninho, sentindo os sucos das frutas é algo de maravilhoso. Um pão doce que me enche os sentidos e a alma.
Vamos ligar o forno? E partilhar uma fatia? Tenho a certeza que vão gostar.




Coroa de Canela e Mirtilos
(receita do blog Joy the Baker)

para a massa:
2 colheres (chá) de fermento biológico seco
1 colher (sopa) de açúcar
3/4 chávena de leite morno
1 gema de ovo grande
2 colheres (sopa) de manteiga derretida
2 e 1/4 chávena de farinha
1/2 colher (chá) de sal

para o recheio:
1/4 chávena de manteiga à temperatura ambiente
1/4 chávena de açúcar
2 colheres (chá) de canela em pó
1 chávena de mirtilos frescos e alguns morangos em pedaços

açúcar em pó para salpicar


Preparação

Numa taça colocar o fermento e o açúcar e misturar. Juntar o leite morno e depois a gema e a manteiga e misturar muito bem. Deixar esta mistura repousar por 5 minutos.
Noutra taça misturar a farinha e o sal, e adicionar depois a mistura do leite, começando a amassar até a massa descolar das paredes da taça.
Colocar a massa numa superfície enfarinhada e começar a amassar à mão durante 10 minutos. Formar uma bola com a massa. Colocar numa taça e tapar com um pano, deixando levedar num local quente, durante 1 hora ou até dobrar o volume.
Enquanto a massa leveda, preparar o recheio, batendo muito bem a manteiga com o açúcar e canela, até ficar homogéneo. Reservar.
Untar uma forma redonda ou uma frigideira de ferro e forrar o fundo com papel vegetal antiaderente.
Pré-aquecer o forno a 180ºC.
Amassar ligeiramente a massa já levedada, e numa superfície enfarinhada e com um rolo, estender a massa numa rectângulo bem comprido.
Espalhar o recheio de canela por cima da massa, sem ir muito às bordas.
E colocar os mirtilos e alguns morangos por cima da massa.
Enrolar a massa num rolo, começando pelo lado mais largo/comprido da massa.
Com uma faca, cortar o rolo ao meio, no sentido longitudinal (paralelo ao lado mais comprido), deixando um topo por cortar. A partir desse sítio entrançar os dois pedaços de rolo.
Unir os dois extremos, pressionando a massa, para formar uma coroa redonda, com cuidado, para não cairem os frutos.
Transferir a coroa para a forma preparada e levar ao forno a 180ºC até cozer e dourar (uns 25 minutos) e os frutos borbulharem.
Desenformar com cuidado, e deixar arrefecer um pouco antes de salpicar com açúcar em pó.
Servir morno ou frio.

Nota: podem ver o passo a passo da receita muito bem explicado em fotografias aqui.

Bom Apetite!




Pão Doce de Limão e Mirtilos



Sinto um carinho especial por esta receita. Por acompanhar bons momentos. Por ter vindo a ser aperfeiçoada nestes últimos anos.
Por ser daquelas coisas boas, que se come a qualquer hora. Por ser pedida por amigos especiais. 
Por não ser nem pão nem bolo. Não leveda como um pão, mas também não é muito doce como um bolo normal.
Por fazer parte do Verão, e do que associo a ele. Ao sol, aos dias em que revemos amigos, aos dias em que saímos e vamos com ele para a praia, em que nos acompanha a "piquenicar", aos mirtilos que o pintam e lhe dão o seu ar de graça. Às fatias que se cortam ao lanche e se partilham.
Ao fim de contas poderia estar a falar de qualquer bolo ou pão, ou pão doce. É das coisas que mais me dá prazer fazer na cozinha e saborear em boa companhia. 
Há sempre um toque de magia no que sai do forno e inunda a casa com o seu perfume. Há coisas que vão ser sempre boas e nos transmitem felicidade.





Pão Doce de Limão e Mirtilos

2 chávenas de farinha de espelta
1 colher de chá de fermento
½ colher de chá de bicarbonato de sódio
1 pitada de sal
Raspa de 1 limão
Sumo de 1 limão
1 ovo
¼ chávena de água
½ chávena de maple syrup ou agave
2 colheres de sopa de óleo vegetal ou azeite
100 gr de mirtilos frescos


Preparação

Untar uma forma de bolo inglês e forrar o fundo com papel vegetal.
Pré-aquecer o forno a 180ºC.
Numa taça misturar os ingredientes secos (farinha, fermento, raspa, bicarbonato e sal).
Noutra taça misturar os ingredientes líquidos (sumo de limão, ovo, água, maple e óleo), com uma batedeira eléctrica ou um fouet.
Juntar os líquidos aos sólidos e bater muito bem até a massa ficar homogénea.
Por fim, adicionar os mirtilos e envolver suavemente na massa.
Transferir a massa para a forma e levar ao forno até cozer, a 180ºC, durante uns 30-40 minutos ou até dourar e um palito inserido no centro sair seco.
Desenformar  e servir morno ou frio.
 

Bom Apetite!





Kugelhopf de Queijo e Espinafres



Pode-se dizer que ando a precisar de férias. Enquanto metade do meu cérebro trabalha e continua sempre enfiado em casos, cirurgias, coisas a fazer, não esquecer outras quantas, a outra metade imagina-se de férias e em descanso. Talvez bem longe daqui, para mudar de ares e tempo.

Basta abrir um livro de culinária até, para me imaginar a viajar por ele. Acontece tanto. E sabe bem, por momentos estar noutro lugar, uma turista de páginas escritas e fotografias por tirar.
O livro Little French Kitchen da Rachel Khoo é um exemplo disso. Um livro viajado, pelos quatro cantos de França, explorando as várias regiões e as suas tradições culinárias e reinvenções de receitas na sua cozinha pequenina de Paris. Uma inspiração e uma pequena viagem por França, pela costa, pelas montanhas, é quase como estar ali naqueles lugares e saborear cada uma das receitas dela.



Peguei no livro e fui conduzida até à Alsácia, descobrir o Kugelhopf. Em vez do tradicional, mais doce e com passas, experimentei a versão salgada. Uma espécie de brioche com menos manteiga, na receita da Rachel.
Um bolo salgado mármore, com os espinafres a pintarem de verde as fatias. 
E a vontade de fazer um piquenique de verão na companhia deste kugelhopf. 
Faça-se a vontade, estende-se uma toalha lá fora, regam-se os copos com limonada fresca acabada de fazer e aproveitam-se todos estes pequenos momentos, enquanto é verão.

Fica esta versão salgada de kugelhopf, que se junta ao tema desta edição da Bundtmania no Lemon and Vanilla. Vamos lá piquenicar estes bolinhos salgados!




Kugelhopf de Queijo e Espinafres
(receita adaptada de Rachel Khoo)

massa branca:
150 gr farinha trigo
1/2 colher (chá) de sal
3 gr de fermento biológico seco
45 ml de leite
1 ovo batido
35 gr de manteiga amolecida
75 gr de queijo da ilha ralado

massa verde:
3 chávenas de espinafres frescos
35 gr de manteiga
1 colher (chá) de sal
150 gr farinha trigo
3 gr de fermento biológico seco

1 ovo batido
1 punhado de pinhões


Preparação

Peparar a massa branca, misturando todos os ingredientes secos. Abrir um buraco no centro e colocar o leite, o ovo e manteiga e começar a amassar durante uns 5-10 minutos até a massa estar lisa e elástica. Adicionar o queijo e envolver bem na massa, continuando a amassar mais um pouco. Transferir a massa para uma taça limpa, tapar com película aderente e deixar levedar até dobrar o volume (o ideal segundo a Rachel é deixar a levedar no frigorífico durante a noite).
Para a massa verde, cozer os espinafres em água a ferver durante 10 minutos, escorrendo depois muito bem o excesso de água, espremendo bem os espinafres. Misturar a manteiga nos espinafres e adicionar o sal, misturar bem e triturar com a varinha mágica até obter uma papa verde.
Juntar a farinha e fermento aos espinafres e misturar, amassando bem, até obter uma massa lisa e elástica. Se achar demasiado seca, adicionar um pouco de leite. Depois de amassada a massa, colocar numa taça, tapar e deixar levedar como a outra massa simples.
Depois de levedadas as massas, transferir a massa branca para uma superfície enfarinhada e esticar num rectângulo de 20cm x 30 cm, com a ajuda de um rolo da massa. Pincelar a superfície com o ovo batido.
Fazer o mesmo com a massa verde e colocar por cima da massa branca.
Dobrar pelo lado mais largo do rectângulo, para dentro até meio da massa, e fazer o mesmo com a ponta oposta. Enrolar a massa de forma circular, em anel, e a ligar as pontas colando com a mistura do ovo.
Untar uma forma apropriada com manteiga, salpicar o fundo com os pinhões e colocar a massa, deixando levedar novamente até dobrar ou durante uma hora.
Levar a forno pré-aquecido a 200ºC e deixar cozer (teste do palito). Desenformar e servir morno ou frio.

Nota: a massa é bastante fofa no dia em que é cozido, achei mais seca no dia seguinte, mas perfeita torradinha em fatias e servida com queijo de cabra.

Bom Apetite!





Pão de Stilton, Mel e Nozes




A cozinha é mesmo uma terapia. Ajuda-me imenso a ser quem sou, e a gerir algumas emoções. Deixo-me estar nela envolvida em sintonia com os meus pensamentos. Deixo que ela me leve ao encontro do que gosto de fazer, e das coisas boas que nela acontecem. Das aventuras por descobrir.
Magicar receitas em noites de insónia é uma coisa que me acontece muito. Sonhar com outras, também acontece. Pedaços de receitas, de imagens já vistas ou por viver. Acordar com vontade de fazer determinada receita, de ir logo para a cozinha e deitar mãos na massa.
Quer queira quer não, ela está presa a mim. A cozinha. Por entre livros e receitas, mesas enfarinhadas, batedeira e forno aceso, colher de pau e loiças lindas, ingredientes diferentes e especiais, sinto-me bem lá. Consigo relaxar, enquanto amasso um pão à mão e o coloco no forno. Há lá terapia melhor.
Este pão é delicioso, com mel, nozes e o queijo Stilton (que trouxe de Londres). Podem usar outro queijo azul, caso não o encontrem. Um verdadeiro e robusto pão, para deixar espreitar o sol dos dias.





Pão de Stilton, Mel e Nozes
(adaptado do livro Bread Revolution, de D. Glendinning e P. Ryan)

350 gr farinha de trigo
150 gr farinha de centeio integral
1 colher (chá) de sal
15 gr de fermento de padeiro fresco
260 ml água morna
2 colheres (sopa) de mel
90 gr de Stilton (ou outro queijo azul)
60 gr de nozes


Preparação

Numa taça colocar as farinhas com o sal e misturar muito bem. Abrir um buraco no centro.
Dissolver o fermento em parte da água morna (não deve estar muito quente para não matar o fermento) e colocar com a restante água e o mel, no centro.
Colocar o gancho de amassar na batedeira e amassar a massa, ou caso não tenha batedeira, formar uma massa com as mãos e colocar numa superfície enfarinhada, onde deve ser amassada por 10 minutos.
Depois de amassada, juntar o queijo e as nozes, em pedaços, amassando só mais um pouco para incorporar.
Colocar a massa numa taça e tapar com um pano, colocando num local quente e deixando levedar por 60-90 minutos, ou até a massa dobrar em tamanho.
Ao fim desse tempo, colocar a massa numa superfície enfarinhada e amassar um pouco, dando depois o formato desejado (em bola) e enfarinhando a superfície (usei farinha de centeio).
Deixar levedar por mais 45 minutos.
Pré-aquecer o forno a 200ºC. Preparar um tabuleiro com papel vegetal antiaderente e colocar nele a massa moldada, dando uns cortes com uma faca na superfície.
Levar ao forno até cozer e ficar bem dourado, e ouvir um som oco ao bater no fundo dele. Mais ou menos uns 35-45 minutos. Fatiar depois de frio.

Bom Apetite!






Pizza de Espelta com Beterraba





Os dias cinzentos podem ser sempre coloridos. Uma massa estendida depois de levedar, beterraba fatiada em cima, um pouco de queijo de cabra, e microvegetais Life in a Bag a enfeitar. O colorido de uma pizza feita em casa, pronta a ser entregue às mãos e bocas esfomeadas, que aguardam por algo saciante, e ao mesmo tempo agradável aos olhos. Fatias prontas para serem comidas a eito.
As pizzas não têm de ser super calóricas. Não têm de ser encomendadas da loja mais próxima. Experimentem fazer a vossa massa, amassar com as vossas mãos, deixar levedar, ver crescer e moldar. Criar os vossos recheios e toppings preferidos. Podem usar a farinha que preferirem, o queijo que mais gostarem, aproveitar sobras e abusar nos legumes.
Ver sair do forno algo criado por vocês. Garanto-vos, sabe pela vida!





Pizza de Espelta com Beterraba
(receita adaptada do livro "Honestly Healthy" de N. Corrett e V. Edgson)

massa:
250 gr farinha espelta (usei metade integral)
1/2 colher (chá) de sal
1/2 colher (chá) de fermento seco biológico
150 ml água morna

molho de tomate:
1 fio de azeite
1/2 cebola picada
1 dente de alho picado
300 gr de tomate maduro (sem sementes e em pedaços)
1 colher (chá) de orégãos secos (da plantação da Naida)

topping:
1 beterraba fatiada finamente
queijo de cabra esfarelado q.b.
microvegetais Life in a Bag


Preparação

Preparar a massa, colocando numa taça todos os ingredientes e envolver. Começar a amassar, numa superfície enfarinhada, por uns 5-10 minutos e deixar levedar até dobrar o tamanho.
Enquanto leveda, preparar o molho de tomate. Num tacho colocar o azeite, a cebola e o alho, deixando refogar, até a cebola amaciar. Juntar um pouco de água e os restantes ingredientes (eu uso tomate maduro que colhi no verão e congelei, mas poderão usar enlatado), deixando cozinhar por uns 15 minutos. Se achar necessário poderá triturar o molho para ficar bem homogéneo.
Numa superfície enfarinhada, estender a massa da pizza, com um rolo de cozinha. Colocar molho de tomate a gosto e em seguida fatias de beterraba finas e pedacinhos de queijo de cabra esfarelado.
Levar ao forno pré-aquecido a 200ºC, num tabuleiro com papel vegetal, até cozer.
Fora do forno, salpicar com microvegetais a gosto. E servir ainda quente.

Bom Apetite!