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Umas Curgetes lindas e um convite para jantar





Digam lá se estas curgetes não são a coisa mais linda? Adoro, pequeninas e redondinhas! Super amorosas. Foram-me oferecidas há uns dias para preparar um petisco para o blog, enquanto as que plantei estão a crescer a olhos vistos na horta. Ontem de manhã colhemos três curgetes enormes. Nunca vi nada assim. Não sei se foi da chuva em abundância. Sei que a sopa e as massas esta semana vão andar ao sabor das curgetes. Adoro! E grelhadas, com tomilho e um fio de azeite, tão simples e tão bom. E não esquecer um bolinho, com a polpa da curgete ralada, húmido e fofo. Não pode faltar, na época delas.
Uma forma deliciosa de as comer é recheadas e gratinadas no forno. Foi o que quis fazer com estas. Peguei nelas com carinho, preparei-as e convidei para jantar duas pessoas tão especiais na minha vida. E jantamos juntas como tantas vezes fazemos.




Convidei para jantar as mulheres da minha vida. A minha mãe e a minha avó. As minhas duas mães, sempre.
São elas que me acarinham desde bebé, num colo sem igual. Que me mimam e me aconchegam quando preciso. Que me ensinaram e continuam a ensinar tanto. Que me trouxeram o amor pela horta e pela natureza e animais. Que me trouxeram o amor por cozinhar. Que fizeram de mim quem sou. Que me dão conselhos e me apoiam. Um amor incondicional, família é amor.
E tantas vezes são elas que me preparam o jantar, quando chego tarde do trabalho, quando ando mais cansada e sem folgas. Desta vez fui eu que as mimei, pois merecem tudo! Sempre!
Preparei esta deliciosa e leve refeição, com direito a um bolinho simples para sobremesa (as minhas mães adoram os meus bolinhos!), e foi partilhada, em cumplicidade, ao sabor das coisas boas.

Assim participo em mais uma edição do Convidei para Jantar, desta vez no blog Pão de Cereais, com o tema "Convidei para Jantar outra geração da família".





Curgetes Recheadas com Bulgur, Grão e Cogumelos

6 curgetes redondas 
1/2 chávena de bulgur
1 chávena de água
sal q.b.
azeite q.b.
1/2 cebola
1 dente de alho
2 chávenas de cogumelos frescos
tomilho fresco q.b.
1 chávena de grão cozido
parmesão ralado q.b.


Preparação

Num tacho colocar a água, um pouco de sal e o bulgur, e cozinhar, deixando ferver durante 10 a 15 minutos, bem tapado. Apagar o lume e manter tapado por 10 minutos a repousar.
Numa frigideira colocar um fio de azeite, a cebola picada e o alho picado, deixando cozinhar até a cebola ficar translúcida. Adicionar os cogumelos em pedaços ou fatiados e salpicar com tomilho fresco picado (só as folhinhas). Deixar saltear os cogumelos até evaporar a maioria do líquido que se forma. Adicionar o grão e o bulgur e envolver tudo muito bem. Temperar com sal, se necessário.
Cortar os topos das curgetes e com uma colher pequena, remover o miolo (reservar a polpa da curgete para sopas). Salpicar o interior com sal e pincelar o exterior com azeite.
Rechear as curgetes com a mistura de bulgur, salpicar com um pouco de parmesão ralado a gosto, e levar ao forno pré-aquecido a 200ºC durante uns 25-30 minutos. Servir ainda quente.

Bom Apetite!






Copinhos de Iogurte e Morango e um Convite para um Brunch





A caminho do meu restaurante de sonho. Algures na Costa Vicentina. Perdido no meio de uma herdade, não tão próxima do mar, mas com cheiro a dias de descanso. No Alentejo, perto da costa.
Depois de uma manhã de praia no Sudoeste Alentejano, rumo e esse restaurante, onde sei que sou sempre bem recebida e com um sorriso a cada Verão que passa.
Um restaurante pequeno, intimista, onde podemos comer um brunch daqueles que eu tanto adoro!
Vamos lá "brunchar"?




Um espaço por fora grande, mas pequeno por dentro, onde cabem os sonhos e os petiscos de um brunch ou lanche, comido à sombra ou ao sol.
A comida é feita com amor, sem pressas, e podemos colher limões para fazer uma limonada ou escolher as ervas aromáticas que vamos colocar nos ovos mexidos.
Há um jardim que o rodeia pela frente onde podemos colher flores e juntar à mesa, a colorir a refeição.
Tudo é feito com ingredientes biológicos e da época, comprado a produtores locais ou produzidos na horta do próprio restaurante. Adoro este sítio. Sinto-me em casa.




Há a opção de preparar uma cesta de piquenique e fazer uma caminhada pela herdade, parando depois à sombra e perto de um canal de água, a desfrutar os produtos embrulhados com carinho. Um queijinho e um pão alentejano, fruta da época, miminhos e bolinhos à escolha.
Desta vez escolhi ficar por lá, sentada numa mesa à sombra, por onde vão passando gatos que nos cumprimentam.
Servem-se bebidas frescas, e delicio-me com panquecas, ovos em cocotte, pataniscas de legumes da horta e como os morangos estão bem docinhos, peço estes copinhos de iogurte e morango.
Tão simples mas cheios de sabor. E por ali fico, a saborear bons momentos, em boa companhia.





Copinhos de Iogurte e Morangos
(para 2 copinhos)

6 bolachas digestivas
2 iogurtes gregos naturais
canela em pó q.b.
uma mão cheia de morangos
açúcar q.b.


Preparação

Colocar as bolachas dentro de uma saco de plástico, fechar e com a ajuda do rolo, bater até triturar (pode utilizar uma trituradora, mas acho este método bastante relaxante!).
Colocar metade das migalhas de bolacha em cada copinho.
Misturar o iogurte com canela a gosto. E colocar sobre as bolachas. Levar ao frio até servir.
Triturar os morangos com a varinha mágica até formarem um puré/sumo uniforme. Adoçar a gosto com açúcar, dependendo da sua doçura. E na altura de servir, espalhar o molho de morangos sobre o iogurte.

Bom Apetite!




 Com esta receita participo em mais uma edição do "Convidei para Jantar...", que está este mês no blog A minha cozinha é a Cores, com o tema Restaurantes de Sonho.



Um convite para jantar e um Bolo nada primaveril





Não vos sei falar de arte. Não vos sei falar sobre pintura e sobre pintores. Apenas sei o que os meus olhos e coração pensam e sentem em relação a determinadas obras e artistas. Se há quadros que me deixam indiferentes, outros parecem falar comigo, e eu entendo-os à minha maneira. Só por emoções e sensações.

Lembro-me de ter ficado maravilhada ao ver "Las meninas" de Picasso, em Barcelona. Admiro algumas obras de Dalí e não consigo ficar indiferente a Miró e a Klimt.
E adoro as ilustrações do meu convidado para jantar, Alfons Mucha. Este pintor e ilustrador gráfico seduziu-me desde a minha viagem à República Checa. Praga é linda, e eu deixei-me encantar em cada rua. Foi lá que admirei as suas pinturas e ilustrações, típica Arte Nova. Gostei tanto que trouxe comigo "A Lua" que está pendurada ainda hoje na parede do meu quarto.

Jantamos algo leve e seguimos com as nossas conversas até Praga. Já tarde servi este bolo de castanha, especiarias e chocolate, com um chá quente. Sabores ainda de Inverno, porque a Primavera parece tardar em chegar cá. Estará ela retratada em cada poster, em cada pintura de Mucha? Nas flores que se agarram em coroa às mulheres que retrata? Parece aprisionada nelas com tanta naturalidade. E nós com tantas saudades. Não demores.





Bolo de Castanha, Especiarias e Chocolate

1 chávena de farinha de trigo
1 chávena de farinha de espelta
3/4 chávena de farinha de castanha
1 colher (chá) de fermento
1 colher (chá) de bicarbonato de sódio
1 colher (chá) de canela em pó
1 colher (chá) de gengibre em pó
1 pitada de noz moscada e cravinho
75 ml óleo vegetal
3 ovos
raspa de 1 laranja e 1 clementina
200 gr de açúcar mascavado
3 colheres (sopa) de mel
250 ml de iogurte natural

Calda:
200 gr de chocolate preto
125 ml de leite


Preparação

Untar uma forma com manteiga e pré-aquecer o forno a 180ºC.
Numa taça juntar o açúcar e as raspas das frutas, mexendo com as pontas dos dedos até ficar o açúcar molhado e as raspas libertarem os seus óleos. Adicionar depois os ovos e bater muito bem até ficar uma mistura fofa e volumosa. Acrescentar o iogurte, mel e óleo e mexer bem.
Por fim, juntar as farinhas e as especiarias peneiradas, o fermento e o bicarbonato e envolver delicadamente.
Colocar a massa na forma e levar ao forno a cozer a 180ºC (teste do palito).
Preparar a calda de chocolate, derretendo o chocolate em pedaços com o leite, até obter uma mistura brilhante e homogénea. Regar com ela o bolo, depois de desenformado.

Bom Apetite!




Com esta receita participo no "Convidei para Jantar..." que está este mês em casa da Guida, com o tema Pintores.


Um convite, um poema e umas Pie Pops







Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar numa flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei da verdade e sou feliz.


in "O Guardador de Rebanhos", Alberto Caeiro 







Podia ter escolhido tantos poemas, mas este foi o primeiro que me veio à cabeça quando a Cristina da Confeitaria nos fez o Convite para Jantar...
Um poema que me faz sempre sorrir. Adoro a poesia de Alberto Caeiro, sem dúvida o meu heterónimo preferido de Pessoa.

Um poema para não pensar, para só sentir. Sentir a natureza, o cheiro das flores, o sabor dos frutos, o calor de um dia. Há coisas tão simples que me rodeiam e que me bastam para ser um pouco mais feliz.
Viver no campo, sair à rua e espreitar o jardim, ver as árvores de fruto, cuidar dos animais, sentir o sol a bater na cara. Colher o que foi plantado, prepará-lo numa refeição, sentir o seu cheiro e sabor. Aproveitar as sensações.
Por isso quis fazer umas pie pops que se assemelhassem a flores, acabadas de colher do meu jardim, e recheá-las com fruta. Sentir apenas o seu cheiro e sabor, sem pensar em mais nada, num dia de sol.






Pie Pops de Apple Pie

2 placas de massa folhada fresca
1 maçã reineta
1 colher (chá) de açúcar mascavado
canela q.b.
1 ovo batido
sementes de papoila q.b.


Preparação

Forrar um tabuleiro grande com papel vegetal e untar ligeiramente. Pré-aquecer o forno a 200ºC.
Esticar as placas de massa folhada e cortar círculos com um cortador de tamanho apropriado.
Descascar a maçã e cortar em pedacinhos, envolvendo o açúcar e a canela a gosto.
No centro de um círculo de massa colocar um montinho de maçã (deixando uma margem em todo o bordo livre). Colocar outro círculo de massa por cima, introduzir um pauzinho numa ponta (pode optar por não usar) e ajustar as bordas da massa, calcando com os dentes de um garfo, criando um efeito às riscas.
Proceder de igual forma com os restantes círculos de massa.
Pincelar a superfície superior das mini tartes com o ovo batido. E salpicar o centro com sementes de papoila.
Levar ao forno a cozer, até a massa folhar e dourar. Servir ainda mornas.

Bom Apetite!







Um risotto e um convite para jantar






Viajar é tão bom e enriquecedor. Mesmo que seja através de um prato de comida. Sabores que nos levam a outras paragens e cheiros de outros lugares. Saboreá-los numa garfada.
Ao ver o tema da 9ª edição do Convidei para Jantar... lançado pela querida Marmita, não pude deixar de pensar nisso. Uma cidade/país que nos toque o coração. Onde já fomos ou sonhamos ser felizes. E gostamos da sua gastronomia.
Pensei imediatamente em Barcelona, que me acolheu tão bem por alguns meses e que já falei aqui. Lembrei-me de Praga, uma das capitais mais lindas, que adorei conhecer. Pensei na Suécia e nos lagos cristalinos de águas frias onde remei numa canoa, rodeados de bosques. Pensei nos Açores, uma beleza aqui tão perto. A minha própria Figueira seria tão bem recebida.
Mas outra vontade veio ao de cima. O desejo de ir em busca de novos lugares. O conhecer o que ainda não se conhece. O criar novas memórias e retalhos do longe.






Abro a janela da villa italiana e recebo a minha convidada, a Toscana. Onde me vejo sentada num alpendre laranja, cheio de flores e sossego. Imagino-me numa colina suave, e partir de bicicleta contemplando o verde e as vinhas. Um passeio de Primavera que acentua os sentidos. 
Mais tarde um passeio até Florença, cidade que me seduz, pelas artes e arquitectura. Uma paragem para pizza caseira e gelado tradicional. Saborear Itália. Passear o olhar pela cidade e pelos museus, pelas obras de Boticcelli, Miguel Ângelo, Donatello e tantos outros. Enriquecer ao ver cada templo, cada cúpula, cada capela, na cidade das artes. Um tesouro toscano.
Mais tarde regresso à villa e preparo o jantar. Um risotto de abóbora, castanha e salva. E convido-a a sentar. Sirvo um copo de vinho da região, e o aconchego do risotto depois de um dia de passeio, convida a relaxar.
"É na Toscana, após um crepúsculo de tantos séculos que o sol da Beleza dealba em toda a claridade e freme ardências e delírios de zénite: ali se descobre novamente o Homem e a Vida, isto é, o que há de formosa realidade, de variedade e graça em toda a Natureza."






Risotto de Abóbora, Castanha e Salva
(inspirado nesta receita do Jamie Oliver)

1/2 abóbora manteiga
coentros em pó q.b.
75-100 gr de castanhas cozidas
2 colheres (sopa) de sementes de abóbora
folhas de salva fresca q.b.
azeite e sal q.b.
1/2 cebola picada
1 dente de alho
1 chávena de arroz para risotto
1/4 chávena de vinho branco
caldo de legumes q.b.
3 colheres (sopa) de parmesão ralado


Preparação

Cortar a abóbora em fatias, colocar num tabuleiro, temperar com coentros em pó e um fio de azeite e levar ao forno uns 30 minutos.
Começar a preparar o risotto passado uns 15 minutos. Preparar o caldo de legumes e mantê-lo a ferver em lume brando durante o processo. Numa outra panela colocar 2 colheres de sopa de azeite e a cebola e alho picados, deixando refogar até ficar translúcida. Adicionar o arroz e deixar fritar um pouco. Juntar o vinho branco e deixar cozinhar até o álcool se evaporar. Juntar 2 conchas de caldo e ir mexendo o arroz enquanto coze e embebe o caldo. Adicionar caldo à medida que for necessário, sem parar de mexer o arroz.
Entretanto, retirar a abóbora do forno, juntar as sementes, as castanhas, as folhas de salva e um fio de azeite e sal por cima, e levar mais 5 minutos ao forno. Retirar do forno, escolhendo só a abóbora e esmagando em puré. Cortar as castanhas em pedaços e reservar as folhas de salva e as sementes à parte.
Quando o risotto estiver quase cozido juntar a abóbora esmagada e as castanhas, envolvendo bem. No final da cozedura, apagar o lume e juntar o parmesão envolvendo suavemente. Servir imediatamente polvilhado com as sementes e as folhas de salva assadas.

Bom Apetite!










Um bolo de chocolate para uma princesa






Chovia a cântaros naquela tarde. Detive-me à janela da cozinha já com o bolo retirado do forno. Que cheirinho a chocolate. As gotas da chuva acumulavam-se nos vidros e por entre elas vi um carro parar à  minha porta. Pensei até que não viria, no meio daquela tempestade.
O guarda-chuva escondia a sua face, mas assim que abri a porta sorriu para mim. Um belo sorriso. Resplandecente e sereno. O cabelo com os pingos da chuva, tornava-a ainda mais bela, como um postal a preto e branco, uma memória antiga. A gabardina creme escondia um vestido lindíssimo, de seda esvoaçante e elegante. Era ela, Grace Kelly, a actriz que se tornou princesa. A princesa mais bonita da história.
Coloquei o chá ao lume e convidei-a a sentar. Ali estava ela, simples e descontraída, falando comigo dos seus filmes, da sua carreira como actriz, de como foi trabalhar com o Hitchcock. Do filme Janela Indiscreta, um dos meus favoritos com ela. Da alegria que foi receber um Óscar. Da sua felicidade em representar.
E falamos claro, do seu casamento com o princípe Rainier do Mónaco. Da sua vida como princesa. Do amor pelos seus filhos. Da vida no Mónaco.
Enquanto falávamos, comíamos mais uma fatia de bolo de chocolate. Um encanto de bolo, segundo ela. Fofo e delicioso. Um conforto que nunca cai mal, que serviu para alegrar ainda mais a nossa conversa.
A lareira acesa dava um ar mais acolhedor e quente à casa fria. E as labaredas pareciam dançar ao som da sua voz. Os gatos juntaram-se a nós e o chá foi servido.
E a princesa riu nessa tarde de chuva.







Bolo Perfeito de Chocolate
(receita do blog FoodwithaMeaning)

3 chávenas de farinha
2 chávenas de açúcar
1 chávena de cacau em pó
1 colher (chá) de fermento
1 colher (chá) de bicarbonato de sódio
1/2 colher (chá) de sal fino
3 ovos
1 chávena de óleo vegetal
2 chávenas de água a ferver

Cobertura:
200 ml natas
100 gr chocolate preto


Preparação

Pré-aquecer o forno a 180ºC. Untar com manteiga e polvilhar com farinha uma forma de chaminé.
Numa taça juntar os ingredientes sólidos (farinha, açúcar, cacau, fermento, bicarbonato e sal) misturando bem.
Adicionar os ovos e o óleo envolvendo nos ingredientes anteriores. Por fim juntar a água a ferver e bater muito bem com a batedeira até obter uma massa homogénea.
Verter a massa na forma e levar ao forno até cozer (teste do palito).
Preparar a calda levando ao lume as natas com o chocolate em pedaços. Quando borbulhar está pronto.
Regar o bolo com a calda assim que retirar e desenformar.

Bom Apetite!







Com este post participo em mais uma edição do projecto Convidei para Jantar..., desta vez em casa da minha querida Alice, com o tema Aristocratas.




Um bolo com mirtilos e um convite para jantar






Convidar um músico para jantar. Revelou-se bastante difícil escolher somente um. São tantas as bandas e músicos que já percorreram os caminhos da minha vida, tantos estilos diferentes que podem acompanhar os dias e os estados de espírito. Mas que não posso passar sem música é bem verdade. Todos os dias. Até a cozinhar coloco uma banda sonora. E deixo-me levar pelos acordes.
Inicialmente achei que o perfeito seria fazer um grande festival algures entre o meu jardim e o longo pomar. Durante a tarde haveriam concertos de jazz, bossanova, dando destaque a músicos portugueses, e à noite um cartaz de sonho, percorrendo bandas e músicos como os Radiohead, Blur, Air, Beck, Nick Cave, PJ Harvey, Muse, Massive Attack, Tindersticks, Alpha, Sigur Ros, Nouvelle Vague, Beirut, Coldplay e Blonde Redhead entre outros. Era bom não era? Que devaneio...
Como a maioria deles até já os vi ao vivo, e isto seria coisa para ficar fora do meu orçamento, pensei naquela artista que por vezes me comove, com a sua voz brilhante e que eu ainda não tive o prazer de ver (era para ser este ano...). Mas que ouço sempre com a mesma vontade. E até canto no chuveiro (mas só mesmo lá!). Falo-vos da Bjork. A cantora que veio do frio. Numa explosão de música, excentricidade e sentimento.







Ela aceitou o convite, com algum receio de início. Mas ao saber que seria fora do círculo das atenções, numa terra pacata, longe de olhares indiscretos que por vezes a incomodam, agradeceu e marcou a data.
Trouxe a sua família, e juntos partilhamos um belo jantar, em tons de cumplicidade e alguma timidez.
Falamos do seu início de carreira numa banda punk, e dos Sugarcubes. Falamos do seu país de origem, a Islândia, dos sítios que ela adora e do single Náttura. Falamos da sua inspiração. Nos países por onde já passou. Nos seus discos, no seu estilo muito próprio. Nos seus videoclipes realizados por Michel Gondry. Inevitavelmente falei no filme Dancer in the Dark, realizado por Lars von Trier, que lhe valeu um prémio de melhor actriz no festival de Cannes, e de como eu me comovi ao ver. Embora eu não quisesse abordar o tema político, acabamos por falar também no seu apoio e solidariedade a grupos de libertação nacional, e na sua canção Declare Independence.
Por entre conversas e músicas, o jantar foi passando até despercebido. Até chegar a sobremesa!
Um bolo com mirtilos e streusel, ainda morno, que foi servido com uma bola de gelado de canela caseiro. Um bolo que a fascinou, tanto como a mim.







Resta-me agradecer à Vera pela escolha do tema para este mês, do projecto Convidei para Jantar... , que sempre me desafia, e no qual adoro participar! Deixo-vos a receita do bolo. Deliciem-se e oiçam música!


Blueberry Buckle
(levemente inspirado no livro Cake Keeper Cakes, de Lauren Chattman)

Streusel:
1/2 chávena de farinha trigo
1/4 chávena de açúcar mascavado claro
2 colheres (sopa) de açúcar
1/4 colher (chá) de canela
4 colheres (sopa) de manteiga

Bolo:
2 ovos
3/4 chávena de açúcar
raspa de 1 limão
50 gr manteiga
1 iogurte natural
1 e 1/2 chávena de farinha
1 e 1/2 colher (chá) de fermento
2 chávenas de mirtilos


Preparação

Começar pelo streusel, juntando todos os ingredientes numa taça e com as pontas dos dedos ir mexendo e amassando até se formar uma mistura granulada semelhante a areia. Reservar no frio.
Pré-aquecer o forno a 180ºC e forrar uma forma redonda normal com papel vegetal (no fundo) ou usar uma forma de mola.
Numa taça juntar a manteiga e o açúcar e bater muito bem. Adicionar os ovos e mexer até ficar uma massa fofa. Juntar o iogurte e a raspa de limão, mexendo bem. Envolver suavemente a farinha e o fermento na massa e por fim os mirtilos, com muito cuidado para não esmagarem.
Colocar a massa na forma, alisando a superfície. Distribuir o streusel por cima. E levar ao forno até cozer.
Servir ainda morno ou frio.

Bom Apetite!











Convidei para jantar... Antoni Gaudí

O dia cinzento e de nevoeiro adivinhava a chegada do meu convidado. Umas gotas de chuva miudinha transformavam a tarde em noite. E sentia-se um cheiro a terra molhada no ar.
Envolto na penumbra do fim do dia, chegou ao portão da casa, com um ar cansado e desconfiado. Tocou a campainha sentindo-se um pouco fora do contexto, como se ali não pertencesse.
Agradeci a sua presença e disse-lhe que seria uma jantar bem informal, que não ocuparia muito do seu tempo, pois sabia que andava bastante atarefado e envolvido na sua Sagrada Família.
Ele entrou, agradeceu o convite e disse que há sempre tempo para tudo, embora ele sinta que não, que o tempo lhe foge pelas mãos. Mas sabe que também tem de descansar. Um jantar alivia esse dia que passa a correr. O seu projecto tem-lhe trazido muitas horas de dedicação e praticamente não tem feito mais nada para se distrair. Não consegue. Tem de o terminar.
Sinto uma certa obsessão à medida que vai falando na Sagrada Família. Mas sinto também uma profunda devoção. Uma paixão. Uma entrega de corpo e alma ao projecto. À arquitectura.
Barcelona respira Gaudí, e eu respiro a Barcelona de Gaudí com desejo de mais, de conhecer mais sobre ele. De a cada rua e cada esquina me deparar com a sua obra, visionária e mística. A sua paixão pela arquitectura, natureza e religião estão presentes na sua visão modernista. Uma mente brilhante, penso eu.
Falamos um pouco do seu trabalho. Ele aparenta ser bastante reservado nas conversas. E eu respeito.
Falamos de dois dos seus mais emblemáticos trabalhos, a casa Milà e a casa Batlló. E entretanto vou servindo a sopa, de curgete e espinafres da minha horta. Ele fica encantado com o vinho e o pão forte que lhe sirvo e agradece o cuidado que tive por saber que ele é vegetariano. Ele diz que não tem muita fome, mas que lhe sabe bem. Sirvo então uns cogumelos recheados, com um cheirinho a coentros, também da horta. Acompanha com uma salada de agrião e morangos. Petisca e pouco fala, envolto em pensamentos.
Sabe então que tem de ir. A sua catedral aguarda-o. 

Com este jantar, participo no projecto "Convidei para jantar...", recebido este mês No Reino da Prússia, com o tema Mentes Brilhantes.






Cogumelos Recheados com Broa e Coentros

10 cogumelos frescos pequenos para rechear
2 colheres (sopa) de azeite
1 chávena de miolo de broa de milho esfarelado
1 dente de alho
1 raminho de coentros picados
parmesão ralado q.b.


Preparação

Pré-aquecer o forno a 200ºC. Untar um tabuleiro com um fio de azeite.
Arranjar os cogumelos e cortar-lhes os pés. Picar os pés finamente.
Num tacho, colocar o azeite e o alho picado e levar a lume brando para o azeite tomar o gosto.
Juntar os pés dos cogumelos picados e deixar cozinhar por 2 minutos. Juntar a broa e envolver.
Apagar o lume e adicionar os coentros e um pouco de parmesão ralado na hora. Misturar muito bem.
Rechear os cogumelos com o preparado, calcando bem de modo a caber o máximo de recheio.
Colocar os cogumelos no tabuleiro e polvilhar com parmesão ralado a gosto.
Levar ao forno até ficarem cozinhados e o recheio dourar.

Bom Apetite!







Convidei para jantar... Nuno Camarneiro




Era final de tarde quando Nuno chegou. Apresentou-se sereno à beira do quintal, onde eu colhia umas laranjas e limões para lhe preparar um refresco. Estava um calor abrasador, e as sombras secavam os dias.
Cumprimentei-o com entusiasmo, deixando os limões rolar até aos seus pés. Que descuidada, tanto nos gestos como nas palavras. Fico sempre assim, quando recebo um convidado especial na minha casa.
Passámos a apanhar um raminho de hortelã na varanda e seguimos até à cozinha fresca, onde lhe preparei um sumo de limão, laranja e hortelã, com bastante gelo.
Nuno na sua simplicidade aceitou mais um copo, enquanto o jantar estava a ser preparado. Falou-me um pouco de si, da sua história e das suas histórias.

" Todas as cicatrizes são troféus, representam vitórias contra o que vem de fora. Devíamos mostrá-las de cada vez que conhecemos alguém, chamo-me assim e tenho sobrevivido. Mostrar os braços, e as costas e os rasgões do espírito, contar-lhes as histórias com abundância de pormenores, o que mais possamos dizer é já supérfluo."

O meu convidado é Nuno Camarneiro, um jovem escritor natural da minha cidade, a Figueira da Foz. Licenciado em Engenharia Física, trabalhou no CERN em Genebra e concluiu um doutoramento em Ciência Aplicada ao Património Cultural em Florença. É investigador e professor, e autor do blog Acordar Um Dia. O seu primeiro romance "No Meu Peito Não Cabem Pássaros", é um livro que me impressionou pela escrita, que já conhecia do seu blog e admirava. Uma prosa claramente poética, invulgar e poderosa. Com poetas escondidos entrelinhas, vamos decifrando pelas palavras e capítulos uma narrativa sublime. Como o próprio diz, palavras em forma de livro, que rodeiam as vidas de Fernando Pessoa, Jorge Luís Borges e Karl (personagem de Kafka). O romance nasce da pergunta - como é que nasce um escritor? - e vagueia pelas mentes criativas destas três personagens.

" Alguns homens são de tripas e escamas, depois de amanhados ficam um pouco que não chega e mal se vê. Há outros em que tudo se aproveita, homens com segredos nas entranhas e na pele, que contam histórias sem fim. São esses os homens bons e às vezes nem homens são, mas cães ou gatos, ou crianças que brincam umas com as outras."

Houve tempo para conversas no terraço, no fim de tarde, por entre um jantar animado e simples. Peixe do nosso mar, grelhado e umas tapas para petiscar. Uma sangria fresca, que o calor ainda aperta e a garganta está seca. E um bolo de fruta para sobremesa. Um upside-down de morango e ruibarbo. Com morangos e ruibarbo da horta.
No meu peito coube o encanto e a felicidade de nos termos cruzado. No livro e no jantar.

"De novo silêncio, tudo foi já dito e entendido por um e pelo outro, agora só o vento quente e os pássaros podem acrescentar sons à tarde. É Verão e os corpos aceitam bem a quietude, os minutos não têm pressa e os dois ficam ali enquanto for necessário."











Upside-Down de Morangos e Ruibarbo
(inspirado nesta receita)

50 gr de manteiga
1/2 chávena de açúcar mascavado claro

1 taça de morangos cortados em metades
1 chávena de ruibarbo em pedaços

2 ovos
1 chávena de açúcar
75 gr de manteiga derretida e fria
raspa de 1 limão
3/4 chávena de buttermilk*
1 e 1/2 chávena de farinha
1 e 1/2 colher (chá) de fermento
1/4 colher (chá) de bicarbonato


Preparação

Untar uma forma redonda e reservar. Pré-aquecer o forno a 180ºC.
Num tacho pequeno juntar a manteiga e o açúcar iniciais e levar ao lume a ferver uns minutos a formar um género de caramelo claro. Colocar no fundo da forma preparada e espalhar uniformemente.
Espalhar os morangos em metades e os ruibarbo em pedaços por cima do caramelo numa camada concêntrica e sem deixar espaços vazios.
Numa taça bater muito bem os ovos com o açúcar e a raspa de limão, até obter uma mistura volumosa, uns 3 minutos com a batedeira. Juntar a manteiga e o buttermilk, mexendo bem. Por fim adicionar a farinha, fermento e bicarbonato de sódio e envolver suavemente.
Colocar a massa por cima da fruta e levar ao forno até cozer (teste do palito).
Deixar o bolo arrefecer uns 10 minutos antes de o virar para um prato de servir.
Servir simples ou com uma bola de gelado de baunilha.

* Para preparar o buttermilk, adicionar uma colher de sopa de sumo de limão a 3/4 de chávena de leite e aguardar uns 15 minutos antes de utilizar.

Bom Apetite!

Com esta receita participo no projecto "Convidei para jantar...", que decorre este mês no blog De Cozinha em Cozinha passando pela Minha, com o tema Escritores Contemporâneos.
Nota: os excertos publicados em itálico pertencem ao livro "No Meu Peito Não Cabem Pássaros" de Nuno Camarneiro.







 

Convidei para jantar... Sofia Coppola


A 4ª edição do projecto criado pela Ana, "Convidei para jantar..." está aí. Desta vez em casa da Pammy, que nos surpreendeu escolhendo o tema de Realizadores de cinema
Um tema bem escolhido, eu adoro cinema e tenho imensos realizadores que admiro e gostaria de convidar a partilhar comigo um jantar.
Mas a tarefa revelou-se complicada. Quem escolher?





O Tim Burton foi convidado pela anfitriã. Um favorito sem dúvida.
Tentei entrar em contacto com o Woody Allen, mas ele disse-me que andava muito ocupado a responder a todos os convites para jantar dos entrevistados do inquérito da revista Pública.
Estava complicado...
Lembrei-me do tão enigmático David Lynch, mas soube que tinha ido aos Açores, a casa da Patrícia.
Tentei entrar em contacto com o Emir Kusturica, mas ele andava em concertos com a sua banda e seria impossível vir de tão longe.
O Almodóvar estava no meio de uma tempestade criativa e não podia ser incomodado.


E eu sem convidado...
Calma, pensei. E se fosse antes uma realizadora? 
Lembrei-me imediatamente da Sofia Coppola, a filha do grande Francis Ford Coppola, e que realizou um dos meus filmes favoritos, o Lost in Translation, que lhe valeu uma nomeação para melhor realizadora.
Ela aceitou o convite e chegou num dia ao fim da tarde. Cansada da viagem, aproveitou para descansar um pouco no jardim, na espreguiçadeira, enquanto eu lhe servi uma limonada acabada de fazer, fresca e com hortelã.
Mais tarde foi ter comigo à cozinha. Eu disse que o risotto que iria preparar tinha de ser feito na hora e ela concordou. Servi uma sangria de champanhe com framboesas enquanto eu ia adiantando tudo e falávamos.
Falámos dos seus filmes sobretudo. Da sua carreira de actriz, do seu pai, da sua vida. Contou-me alguns segredos bem peculiares.
Contou-me como foi trabalhar com o fantástico Bill Murray no Lost in Translation, e eu disse-lhe que para além de adorar o filme, tinha gostado imenso da banda sonora.
A conversa partiu daí também para a banda sonora do seu outro filme, o drama The Virgin Suicides. O filme que me apresentou a Sofia como realizadora.
Não podíamos deixar de passar pelo sedutor e extravagante Marie Antoinette e pelo último Somewhere, enquanto dávamos a primeira garfada no risotto. Ela gostou e repetiu. Foi bebendo e deixou-se levar pela conversa animada sobre as estrelas do cinema.







Risotto Selvagem de Legumes
(adaptado do livro "As Voluptuosas Receitas de Miss Dahl", de Sophie Dahl)

1 chávena de arroz selvagem (de mistura)
caldo de legumes q.b.
1/2 chávena vinho branco
3 colheres (sopa) de azeite
1 cebola
1 dente de alho
1 alho-francês
1 courgette ralada grosseiramente com casca
1 cenoura ralada grosseiramente
100 gr cogumelos frescos laminados
2 colheres (sopa) de parmesão ralado
1 ramo de salsa e coentros picados
50gr de amêndoas laminadas


Preparação

Num tacho preparar o caldo de legumes e mantê-lo quente.
Num outro tacho grande, aquecer o azeite com a cebola picada, o alho picado e o alho-francês em rodelas, deixando estufar por uns 5 minutos.
Adicionar então a courgette ralada, a cenoura e os cogumelos, envolvendo.
Juntar o arroz e deixar fritar. Adicionar o vinho e mexer até se evaporar o álcool.
Quando a mistura estiver quase seca, ir juntando caldo de legumes. Mexer sempre o arroz e ir juntando caldo, até o arroz estar cozido e todo o caldo ser absorvido.
Apagar o lume e juntar o parmesão ralado na hora e envolver.
Polvilhar com a salsa e coentros e salpicar com as amêndoas.
Servir de imediato.

Bom Apetite!







O meu gato convidou para jantar... o Garfield


Era final de tarde quando ele chegou. A sua pelagem laranja tigrada brilhava ao sol e o seu ar superior não deixavam ninguém indiferente à sua passagem.
Há uma semana atrás quando fui informada pelo meu gato que o Garfield viria jantar connosco, não acreditei. Disse-lhe que só poderia estar a brincar comigo. Insistiu muito, enquanto me dava turrinhas e ronronava, até que me convenceu. Avisou-me que o jantar não poderia ser a uma segunda feira pois era o dia em que ambos estariam de mau humor. Eu acenei sorrindo, escolhemos o dia e eu preparei tudo de forma a atender ao seu pedido.
E não é que o Garfield apareceu mesmo? O Garfield, o famoso gato, com um humor bem peculiar, irónico e sarcástico, preguiçoso e malandro, jantaria em minha casa.


O meu gato estava à porta à espera, trocaram saudações e miaram um pouco, enquanto eu os observava da janela da cozinha... "devo estar louca...preciso mesmo de umas férias".
O Garfield parecia seduzido pelo quintal e pelo jardim, as árvores, as borboletas, os pássaros e os cheiros primaveris. O meu gato desafiou-o para uma corrida e trepar árvores, mas o Garfield riu-se e disse que respirar já era um bom exercício. Por isso enquanto o meu gato corria numa busca incessante por um insecto, o Garfield esticou-se numa rede na laranjeira e preparou-se para uma bela sesta. Disse para o avisarmos quando o jantar estivesse pronto.
Eu na cozinha ia preparando o banquete. Para entrada, uns jaquinzinhos e um paté de sardinha. Para prato principal, uma lasanha de salmão (o que mais poderia ser?). E para sobremesa uma mousse de delícias do mar e camarão. Tive de mobilizar fornos de vizinhas, pois sabia do grande apetite do bichano, e tentei fazer o maior número de travessas de lasanha possíveis. Foi uma estafa. Assim que terminei, fui chamar os meninos.
Fui até à rede, onde era suposto estar o felino, mas não o encontrei. Dei uma volta o quintal, chamei por eles, mas nada... Fui então encontrá-los perto da casa da vizinha, agachados nas ervas, a olhar para o mesmo sítio... a gata da vizinha, a fazer a sua higiene pessoal. Que malandrecos.
Avisei que o jantar estava pronto! Foi o suficiente para ele olhar para mim e desviar a sua atenção. Os seus olhos arregalaram-se ao som da comida, e foi bem rápido que a bolinha de pêlo seguiu o meu gato até à sala de jantar.
Falámos então um pouco sobre ele, o facto de ter nascido num restaurante italiano e o seu amor incondicional por lasanha. Uma obsessão. Adorou a lasanha de salmão, e comeu sozinho 7 tabuleiros. Ia retirando algumas nabiças para o lado, armado em esquisito, e lambendo as almofadinhas das patas. Eu estava perplexa, mas contente por ele apreciar. O meu gato olhava com orgulho para o amigo, e com uma pontinha de inveja por eu não lhe preparar banquetes destes todos os dias. Era o que mais faltava!
Depois de jantar e de mais uma sesta na sala, tempo ainda para preparem uma armadilha à minha cadela, que apanhou um valente susto, enquanto os traquinas se riam e gozavam com ela.
Despediram-se e o Garfield apanhou um táxi (claro que a pé é que não iria, seria uma canseira), e avisou que voltaria no Verão para mais um banquete de lasanha. Eu acenei um adeus enquanto pensava "e agora, quem vai lavar aquela pilha de loiça?"


Esta é a minha participação na 3ª edição do projecto da Ana, "Convidei para jantar...", cujo tema proposto para este mês, pela anfitriã Su, foram Personagens de Desenhos Animados que nos marcaram na infância.







Lasanha de Salmão em Creme de Batata-Doce e Ricotta

placas de lasanha frescas
2 lombos de salmão
150 gr de nabiças (ou espinafres)
1 dente de alho
2 batatas-doces médias
tomilho fresco q.b.
leite q.b.
100 gr de ricotta
queijo mozarella ralado q.b.
sal e azeite q.b.


Preparação

Descascar e cortar em cubos as batatas-doces. Colocá-las num tabuleiro, temperar com sal, tomilho e um fio de azeite e levar ao forno a 200ºC até ficarem assadas.
Enquanto isso, cozer o salmão com sal, escorrer, retirar peles e desfiar. Reservar.
Numa frigideira, colocar um fio de azeite e um dente de alho, deixar alourar e colocar as nabiças (previamente cozidas) a saltear. Adicionar o salmão e envolver. Reservar.
Quando as batatas estiverem assadas, retirar os pés de tomilho, colocá-las numa taça e triturar até puré. Adicionar leite a gosto e a ricotta e mexer até ficar homogéneo.
Num tabuleiro de forno, untar o fundo com azeite e colocar placas de lasanha. Por cima, uma camada do creme de batata e ricotta. Depois uma camada de nabiças e de salmão. Repetir as placas de lasanha e os restantes ingredientes. Colocar mais placas de lasanha e finalizar com o queijo ralado.
Levar ao forno a 200ºC até o queijo derreter e dourar e a massa cozer (uns 25-30 minutos).

Bom Apetite!



Convidei para jantar...Anthony Bourdain

Preparar uma refeição para alguém é algo muito especial. Transmitimos através da comida a nossa dedicação e afecto pelas pessoas com quem a partilhamos. O cuidado com que é preparada e servida, todo o ritual de nos sentarmos à volta de uma mesa partilhando a refeição e uma boa conversa é algo mágico. Por isso abracei este projecto "Convidei para jantar..." da autoria da Ana, do Anasbageri, com muito carinho e vontade. Um desafio que apela à criatividade e imaginação.
O tema deste mês para a 2ª edição do projecto, foi escolhido pela anfitriã Suzana do belíssimo Gourmets Amadores, no qual escolheríamos um chef e/ou cozinheiro, que gostaríamos de receber na nossa casa.

Convidei o chef Anthony Bourdain, aproveitando a sua última visita a Lisboa para gravar um episódio do programa No Reservations. Sabia que me iria sentir mais à vontade e confiante, por ele ser uma pessoa muito descontraída e curiosa pelas tradições de cada país, sem receios de provar coisas diferentes, já que iria ser uma tarefa bem difícil surpreender alguém que faz da comida o seu trabalho.

Tentei recriar um ambiente de tasquinha na minha cozinha e sala de jantar, tornando-a acolhedora. Usei a loiça de barro e coloquei jarros de vinho de um produtor local no centro da mesa. Pensei para esta ocasião preparar um jantar baseado em entradinhas e petiscos típicos. Um jantar informal, sem regras e etiquetas, sem uma ementa muito elaborada, para se ir petiscando, com boa conversa e bom vinho.
Servi num clima descontraído, saladinha de polvo, pataniscas, jaquinzinhos fritos, salada de orelha, ameijoas à bulhão pato, ovos mexidos com alheira, a famosa punheta de bacalhau (soltou uma grande risada quando eu traduzi o nome) e outras iguarias. Sem esquecer os enchidos portugueses com que ele se deliciou e os queijos nacionais. Ficou encantado com o queijo da serra, e não se cansou de barrar fatias de broa de milho com ele. Toda a refeição foi bem regada por vinho tinto alentejano e um de um produtor local (este mais barato, mas muito do seu agrado).
A minha família sorriu contente por vê-lo comer e beber com tanto gosto. A minha avó em especial (que ainda é do tempo em que se passou fome) ficou deliciada com o seu apetite e mesmo não percebendo inglês disse-lhe: "senhor Tony, coma mais um bocadinho disto..."
Um serão muito bem passado, com valentes gargalhadas e boa conversa. Falámos do seu programa, das suas viagens, das coisas mais estranhas que já tinha comido e das mais deliciosas. De projectos futuros. Da riqueza cultural e culinária. Falámos da música portuguesa, do vinho português, das nossas tradições e da nossa gastronomia. Da qualidade do peixe fresco e do marisco, da doçaria conventual.
Tempo ainda (e estômago) para uma sobremesa. Uma sericaia, doce típico alentejano, servido com ameixas em calda, caseiras. E uns ovos moles de Aveiro. Um digestivo para finalizar.
Disse-me que estava tudo do seu agrado e que tinha gostado particularmente das pataniscas de bacalhau (receita da minha mãe) e que gostaria de levar a receita para a recriar e reinventar no seu restaurante Les Halles em Nova Iorque. Imaginam o meu entusiasmo enquanto a escrevia!
Despedidas feitas e votos de sucesso trocados, e um garrafão do vinho local oferecido com uma certa timidez, aqui fica a receita que o seduziu nessa noite.




Pataniscas de Bacalhau
(receita da mãe)

3 a 4 postas de bacalhau (grandes)
2 ovos
10 colheres (sopa) rasas de farinha trigo
1 colher (sopa) de maisena
1 colher (chá) de fermento
1 pitada de colorau
1 pitada de sal
1 raminho de salsa
leite q.b.


Preparação

Desfiar as postas de bacalhau cru à parte e reservar.
Numa taça bater bem os ovos com a farinha, a maisena, o fermento. Juntar leite até formar um polme. Temperar com o sal e o colorau a gosto.
Adicionar a salsa picadinha e o bacalhau envolvendo bem. Se notar a massa muito pesada, juntar um pouco de leite.
Numa frigideira, aquecer óleo e quando estiver bem quente colocar pequenas porções da massa, deixando fritar de ambos os lados. Escorrer em papel absorvente. Servir.

Bom Apetite!