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Bundt de Chocolate



Para a minha avó. Uma das pessoas que mais amo no mundo. São 90 primaveras que já viveu, e muitas delas ao meu lado. Um coração cheio de amor de avó, daquele amor que sabe tão bem, que é como um aconchego e um abraço, que é doce e cheio, puro e meigo. Parabéns avó!

As minhas memórias mais doces encontram sempre a minha avó (os meus avós maternos). Desde pequenina, nos tempos em que ainda não andava na escola, e passava os dias na quinta com ela. Lembro-me de uma horta grande, do cheiro a cavalos, das uvas que se tornavam passas numa mesa de madeira ao sol, das rodelas de beringela que ela cortava, dum fogão pequenino na cozinha e uma televisão a preto e branco. Lembro-me dos seus óculos verdes, que lhe enchiam a cara, e do colar de pérolas para os dias de festa. São memórias que me dizem ser estranho lembrar, porque era mesmo muito pequenina.

Os tesouros que merecem para sempre ser guardados, são as memórias e os afectos dos tempos juntas, do crescer, do aprender, do viver. As coisas simples da vida, e o trabalho na horta. Aprendi tanto com ela. E continuo a aprender. Ela não sabe ler nem escrever, mas sabe da terra, das estações e do que se semeia e colhe, e se come à mesa. Do que alimenta a família. Como a panela de sopa feita à fogueira. O pão e broa que antes amassava e cozia. Os bolinhos e os filhoses. O arroz doce. O pão-de-ló. Os biscoitos secos. E o arroz no forno, que o meu avô adorava.

Pelo que me contam eu não gostava nada de comer em pequena (como é que é possível pergunta o caro leitor, e eu também me questiono) e foi sempre ela que teve paciência para me alimentar enquanto eu fazia birras, até que aos poucos comecei a gostar de comer, ao ponto de adorar.
É uma avó gulosa, que adora bolos e bolinhos como eu. E sempre foi uma mulher simples, com gostos nada extravagantes. Daí o bolo de anos ser também bem simples, sem enfeites. Mas carregado de chocolate e amor. Sinto-me mesmo muito grata por a ter a meu lado, por poder partilhar fatias de bolo e tanto da vida com ela.






Bundt de Chocolate

300 gr de açúcar amarelo
200 gr de manteiga derretida e fria
4 ovos caseiros
1 chávena de buttermilk
2/3 chávena de água a ferver
50 gr de cacau em pó
350 gr de farinha com fermento
1 colher (chá) de fermento
1 colher (chá) de bicarbonato
pitada de sal

Cobertura:
100 gr de chocolate semiamargo
6 colheres (sopa) de leite


Preparação

Pré-aquecer o forno a 180ºC e untar uma forma bundt com manteiga e polvilhar com farinha. Reservar.
Preparar o buttermilk juntando 1 colher de sopa de sumo de limão a uma chávena de leite, misturar e deixar a repousar 10 minutos antes de usar.
Numa taça colocar os ovos e o açúcar e bater com a batedeira eléctrica por 5 minutos até ficar uma mistura volumosa e cremosa. Adicionar a manteiga e bater novamente.
Juntar metade do buttermilk à massa e mexer bem, e aos poucos e ir juntando a farinha com fermento, bicarbonato e sal e o restante buttermilk e bater bem a massa. Por fim misturar o cacau em pó na água a ferver e adicionar à massa, mexendo até ficar uniforme.
Colocar a massa na forma preparada e levar ao forno a 180ºC até cozer (teste do palito).
Desenformar e colocar num prato de servir.
Para a cobertura, derreter o chocolate em pedaços com o leite, em banho-maria, mexendo até ficar uma mistura brilhante. Regar o bolo com a cobertura só mesmo na altura de servir.
Se desejar pode acompanhar as fatias de bolo com natas batidas e morangos, e regar com mais molho de chocolate da cobertura.

Bom Apetite!





Pavlova em Coroa



Um ano que se passou. E um novo ano ainda em branco. Está pronto a ser escrito, a ser pintado com as cores que gostamos mais, a ser contado em palavras e cozinhado em sabores e cheiros.
Não costumo fazer resoluções de ano novo, nem penso em metas e objectivos que pretendo atingir. Não tenho esse hábito, não quero fazer dietas nem perder peso, não quero planear viagens que depois não consigo fazer, não quero mudar de vida radicalmente, não quero mudar de emprego só porque na minha área há precariedade. Não quero dizer um monte de coisas só por dizer. Se algo mudar que seja porque é tempo para isso, porque mereço e lutei por isso, e não preciso que seja Janeiro para o fazer.
Claro que desejo que seja um bom ano, mas acima de tudo penso nele sempre com esperança. E com sonhos agarrados a mim.

De alguma forma acabo sempre por pensar no ano que passou, nos sentimentos que senti, nas coisas que vivi, mas sem nostalgia (essa fica sempre para o fim do verão). Não foi um ano fácil, não. Foi cheio de rasteiras e sustos. Mas em vez de pensar no que menos gostei nele, prefiro olhar para trás e ver os dias felizes. As oportunidades que agarrei, os desafios que abracei, e ver que se calhar até sou capaz de me safar nesta história que se chama vida. Pensar nos bons momentos com quem amo, nos pedacinhos de sol e amizade que tive, nas coisas novas que aprendi, no milagre que presenciei. Sim, porque afinal os milagres acontecem, e este ano que passou foi esse o momento que me deixou mais feliz e grata (apesar da dor e da frustração pelo meio). E se os milagres acontecem, há sempre esperança, há sempre sonho, é sinal que o melhor ainda está por vir (como diz uma amiga minha).

Este ano e sempre, escolho sonhos, escolho sentimentos, escolho ser mais feliz. Escolho as pequenas coisas da vida que me fazem sentir bem, e as grandes também (os milagres). 
E trago-vos uma coroa doce. Quero mais este lado doce da vida. Uma pavlova branca pronta a ser pintada com groselhas, compota e canela. Que se partiu a meio das fotografias, e me fez rir. Que foi degustada por nós e por amigos e vizinhos, gente boa e que nos faz feliz.
Fica a sugestão para o Dia de Reis. E para dias mais doces.
Desejo um bom ano a todos os leitores! Cheio de momentos doces e felizes.








Pavlova em Coroa
(inspirada na Donna Hay)

6 claras de ovo
330 gr de açúcar branco
1 e 1/2 colher (chá) de vinagre de sidra

para servir:
250 ml natas frescas
2 colheres (sopa) de açúcar
canela em pó q.b.
groselhas frescas q.b.
compota de frutos vermelhos q.b.


Preparação

Pré-aquecer o forno a 150ºC. Desenhar um círculo com 25cm de diâmetro numa folha de papel vegetal antiaderente e colocar dentro de uma tabuleiro.
Com a batedeira eléctrica bater as claras em castelo até ficarem bem firmes. Começar a juntar o açúcar, uma colher de sopa de cada vez, e bater entre cada adição, até ficar incorporado.
Bater depois durante uns 5 minutos até a mistura ficar brilhante e espessa.
Adicionar depois o vinagre e bater por mais 2 minutos.
Colocar colheradas da mistura dentro do círculo desenhado, em toda a volta, formando uma coroa.
Reduzir a temperatura do forno para 120ºC e colocar a pavlova a cozer cerca de 1 hora e 20 minutos.
Depois desse tempo, desligar o forno e deixar a pavlova lá dentro até arrefecer por completo (eu coloco uma colher de pau na porta do forno para deixar uma abertura).
Para a cobertura, bater as natas até ficarem firmes, adicionar o açúcar e bater mais um pouco só para incorporar e juntar canela a gosto de forma a ficar com um chantilly de canela.
Na altura de servir, colocar a pavlova num prato grande, cobrir com o chantilly de canela, colocar as groselhas, uns fios de compota de frutos vermelhos (eu usei uma compota caseira de morango e especiarias) e salpicar com canela.

Bom Apetite!








Panettone de Natal



E num instante estamos no natal. Estava eu ainda no Alentejo nas férias do verão, quando disse que dali ao natal era um saltinho. E foi mesmo. Chega sempre demasiado depressa, e nunca me permite fazer tudo o que queria, principalmente na cozinha e nos encontros com amigos e familiares.
Mas vamos celebrar o mais importante. O amor, o estarmos juntos à mesa, a partilha, a família, as coisas boas que nos unem e nos fazem sorrir.

Nesta época recordo-me sempre do natal quando era pequena. As imagens e os cheiros são de boas recordações. O forno a lenha aceso e as brincadeiras com os primos. A árvore de natal natural e tosca com as luzinhas, e o presépio enfeitado com o musgo apanhado no pinhal. Uma mesa simples, mas cheia de afectos e comida de conforto. As receitas de família presentes na mesa. Os sonhos da minha avó, o arroz doce da minha mãe. Tradições. Havia sempre coquinhos, que eu fazia com a ajuda da minha mãe. E ao dia seguinte era ver um rasto de bolinhos de coco trincados espalhados pela casa. A única coisa que me lembro que não gostava eram as malditas passas e frutas cristalizadas, que retirava uma a uma do que estivesse a comer.

Lembro-me que na noite de natal dormia sempre com os meus avós, aconchegada no meio dos dois. E que boa recordação esta. Sinto-a como um lugar seguro, um amor sem fim.
De madrugada levantava-me de mansinho para ver se o menino Jesus já tinha descido pela chaminé e deixado um presente ao lado do sapatinho. Abria a prenda e voltava para a cama abraçada a ela. E pela manhã acordava com o cheiro da cevada quente, acabada de fazer. Memórias boas e doces, de uma menina feliz. 
A menina hoje já gosta de passas e faz bolo-rei e panettone em casa. Para celebrar o natal. E este ficou tão bom, macio e cheio de passas embebidas em rum e com o perfume dos citrinos. 
Que o vosso natal seja doce e muito feliz, e que se façam novas memórias para mais tarde recordar. Boas festas!






Panettone de Natal
(adaptado do livro "GBBO Winter Kitchen" de Lizzie Kamenetzky)
80 gr de passas
3 colheres (sopa) de rum escuro
200 gr de manteiga amolecida
100 gr de açúcar amarelo
1 colher (chá) de pasta de baunilha
3 ovos batidos
raspa de 1 laranja
raspa de 1 limão
600 gr de farinha de trigo sem fermento
2 saquetas de 7g de fermento de padeiro seco
1 colher (chá) de sal
200 ml leite morno
50 gr de laranja cristalizada picada
50 gr de alperces secos picados
açúcar em pó para salpicar


Preparação

Colocar as passas e o rum num tachinho pequeno e levar ao lume a aquecer por 2 minutos. Deixar repousar para a fruta embeber o rum.
Numa taça grande colocar a manteiga, a baunilha e o açúcar e bater muito bem com a batedeira eléctrica, por uns 5 minutos. Adicionar o ovos batidos e as raspas de laranja e limão e bater muito bem até ficar incorporado. 
Noutra taça grande colocar a farinha e misturar o sal. Polvilhar com o fermento. Abrir um buraco no centro da farinha e colocar o leite ligeiramente morno, misturando tudo em seguida. Juntar esta mistura à da manteiga com ovos e açúcar e bater muito bem a massa na batedeira eléctrica, com o gancho das massas (em alternativa poderá amassar à mão por uns 10 minutos) até a massa ficar homogénea e elástica. 
Formar uma bola com a massa e colocar numa taça, tapando com um pano e deixar levedar num sítio morno por cerca de 1h30. 
No fim de levedar, colocar a massa sobre uma superfície enfarinhada e amassar por 1 minuto, juntando em seguida as passas, a laranja cristalizada e os alperces amassando as frutas na massa, até ficarem bem incorporadas. Formar uma bola com a massa e colocar numa forma de panettone (em alternativa usar uma forma redonda com 20cm de diâmetro e com papel vegetal nas laterais ficando mais alto que a forma e atar à volta com fio de cozinha), tapar com um pano e deixar num sítio morno a levedar por mais umas 2 horas até a massa crescer o dobro ou triplo.
Pré-aquecer o forno a 200ºC e pincelar a superfície do panettone com leite ou ovo batido. Levar ao forno reduzindo para 180ºC passado uns 15 minutos, até cozer ou um palito espetado no centro vier limpo (uns 45 a 60 minutos). A meio da cozedura poderá ser necessário colocar papel de alumínio para não queimar o topo do panettone.
Deixar arrefecer dentro da forma de panettone e só depois desenformar, ou caso usem uma forma normal devem desenformar passado 5 minutos de sair do forno. Salpicar com açúcar em pó na altura de servir.

Bom Apetite!

(Cake Stand by Coco e Baunilha)






Bolo de Amêndoa, Natas e Cereja



Um bolo para celebrar 5 anos. Sim, são 5 anos de Ananás e Hortelã. Um nome escolhido sem planear, um bocado piroso até, mas que já conta a sua história. Cheia de afectos e partilhas à mesa. 
Acho que nunca pensei que ainda escreveria aqui ao fim deste tempo. Que ainda iria partilhar receitas. Pelo menos pensava eu, quando comecei há 5 anos atrás. Afinal de contas há coisas que às vezes não continuam, há coisas que mudam, há coisas que terminam. 

Fico sempre um bocado nostálgica em época de aniversário, penso e revivo as coisas boas e as menos boas que este cantinho me trouxe. Penso nas receitas que descobri, no gosto crescente pela fotografia, nos livros de culinária que me inspiram, nas pessoas que se cruzaram comigo de alguma forma, nas histórias vividas, nas mesas partilhadas, no caminho percorrido. Um caminho feito com muito prazer. Afinal de contas tudo o que é feito com prazer e com amor é para durar.

Claro que muitas coisas mudaram desde há 5 anos, nem sempre a disponibilidade para aqui vir é a mesma, as prioridades vão mudando, as receitas na vida também. Mas continuo sempre a aprender, continuo a gostar do cheiro de um livro novo nas mãos, a gostar de provar ingredientes novos, continuo a sorrir quando faço uma receita nova, continuo a adorar cozinhar para quem amo, a querer partilhar esses momentos. Continuo a ser feliz aqui. Continuo a querer inspirar-me.
E continuo a ligar o forno para fazer bolos e bolinhos. Isso já sabem que é certo na minha vida, um bolo a sair do forno traz logo perfume de conforto e sorrisos. Traz doce à vida.
Obrigada a todos os meus leitores, obrigada! É para vocês este bolo!





Bolo de Amêndoa, Natas e Cereja
(inspirado no blog Coco e Baunilha)

Bolo:
4 ovos grandes caseiros
200 gr de açúcar
180 gr de farinha com fermento
150 gr de amêndoa moída
125 gr de manteiga derretida
1 colher (sopa) de água de flor de laranjeira
1/2 colher (chá) de pasta de baunilha
raspa de 1 limão pequeno

Recheio e Cobertura:
150 ml natas frescas
1 colher (sopa) de açúcar
150 gr de doce de cereja
cerejas para decorar


Preparação

Untar 3 formas com 16cm de diâmetro e forrar o fundo com papel vegetal antiaderente.
Numa taça bater os ovos com o açúcar, a água de flor de laranjeira e a baunilha por 5 minutos, com a batedeira eléctrica, até ficar um creme bem volumoso. Envolver a farinha peneirada. Por fim, juntar a amêndoa moída, a raspa de limão e a manteiga derretida. Envolver até ficar homogéneo.
Dividir a massa de igual forma pelas 3 formas preparadas.
Levar ao forno pré-aquecido a 180ºC até cozer (teste do palito).
Desenformar e deixar arrefecer completamente sobre uma rede.
Preparar o recheio, batendo as natas até ponto de chantilly, juntando depois o açúcar e voltando a bater ligeiramente. Manter no frio até usar.
Para montar o bolo, cortar os topos de cada bolo para alisar, caso necessário. Colocar um dos bolos num prato de servir e barrar com metade do doce de cereja a superfície. Por cima do doce espalhar um pouco das natas batidas. Colocar outro bolo, endireitar e repetir o processo. Colocar o último bolo e no topo barrar com uma camada de natas batidas, alisando.
Enfeitar com cerejas frescas e colocar umas horas no frio antes de servir.

Bom Apetite!




 (cake stand nas fotos de Cake stand by Coco e Baunilha)